Mostrando postagens com marcador aprender.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aprender.. Mostrar todas as postagens
19:44

- - -Dizer



Imperdoável é o meu silêncio, não falar é estar nua de mim, despida e abandonada ao relento, das atenções que me alimento. Saber e não dizer é como uma morte escolhida, suicídio nada tranquilo. Há pessoas que são caladas, mas eu não aprendi a ser assim, e quando eu o sou, não sinto muito orgulho, as palavras inevitalvelmente me escapam, fazendo de mim um certeiro alvo, de reclamações, angústias, pesadelos e desabafos, prefiro assim, minha boca, as pessoas, as palavras e os sentimentos, são a parte perfeita de mim.

Assim como os risos, e as lágrimas que atrelam-se em desatino com cada coisa que eu digo, não gosto de frases sem sentido e de sentimentos ignorados, o belo vai do triste ao feliz, e a verdade, é que me cabe um silenciar apenas quando gargalho, ou quando os soluços atingem-me abruptamente. Conto histórias sem fim.

-- Vou fazendo do cotidiano um roteiro leviano, mais sentimento e leveza, mais pureza para viver enfim. - é preciso ter alma, é preciso ter calma, e não espero que me entendam, tampouco compreendam, as sutilezas que inflamo dentro deste ser que habito.

Pegando fogo eu grito, ardendo em sentimentos clamo: Estejam por perto, estejam quietos, ouçam-me.

As palavras me ardem à alma, as palavras me invadem e outrora ainda acreditei não ser assim.
Não desejo que sintam minha dor, e um pouco egoísta que sou, não pretendo que meu prazer em dizer seja compartilhado. Palavras são atos, desenhados, imaginados e sonhados. Ardentes!

Me envolvo sofrêga em prazer, há palavras que fazem doer e outras que de tão loucas me empregam um prazer libidinoso e voraz.

Vou dizer sem dizer; vou dizendo...



15:31

Redenção cristalina



Como cristais,
escorriam pela janela.
Me lembro do que via,
me lembro que cristais eram.

-Eram também,
lágrimas do Deus,
gotas d'água do céu.

Se faziam involuntariamente,
escorriam lentamente,
pela minha janela,
minha porta para o céu.

A visão que eu tinha,
se desfocava,
e eu olhava através dos cristais,
das lágrimas,
d'água.

Era a vida,
a natureza infindável.
Meus sentimentos e,
temores,
pelo vidro me olhavam.

Essas lágrimas do Deus,
me levaram,
até o eu,
que eu,
já não encontrava.

Cristais,
sem brilho.
Cristais líquidos,
preciosidade que evapora.
Levando consigo meus medos de outrora.