
Ele está perdendo o fôlego, deixando o jogo o vencer e o medo o levar para o abismo. Terrível são os seus anseios, e ele já não pensa em mais nada além, os dias são curtos e as noites longas em devaneios, prazeres imensuráveis e notavelmente consumíveis horas aflitas em prazer que se finda, ao amanhecer.
Desperta para o nada, e se cala. Levanta-se e veste, suas vestes de rei.
Quem é esse homem que se levanta ao lado daquela moça bonita, de cabelos loiros, pele aveludada, olhar de príncesa amorosa, amedrontada. Ele nada lhe fala, apenas a observa, com pressa, desprezo e uma certa agonia que grita, desbravando a mudez que afligi todos os olhares que não os vêem.
E seu dia começa enfim.Vestido para governar sua vida desgovernada, falhas, lacunas disfarçadas.Não diz adeus, ou sequer qualquer palavra, joga cédulas de cem, na cama bagunçada, consome de forma saborosa seu pecado em existir. Calado, silencioso e certeiro, sabe o roteiro do seu dia, como uma máquina pré-determinada, programada a fazer o que tem que ser feito.
Ele a deixa jogada como uma companheira de noitada, paga, sem pedir!
Da porta que por ele foi fechada,dela escorrem lágrimas de sonhos frustados, que construíu, brincando de ser um príncipe encantado, mas ele é um rei devoto do diabo, despota, agressivo e safado, sem crenças e sem sonhos. Seu cavalo é negro, e carrega consigo apenas os medos, de homem que já foi deixado, agora vinga-se do amor, deixando marcas de desprezo, conquista todas as noites mais uma vítima, alimenta-a, com falsos sonhos, e a mata ao amanhecer, consumindo não só seu corpo, mas sua alma. Levando dela a dignidade, e o desejo de fazer o amor existir.
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Eternamente Admirados
Sarah McLachlan - I Will Remember You
cala-nos diante do que sentimos, e nos prende no futuro de frio e solidão."
Eu lhe neguei,
e a cada não,
meu peito,
dizia sim à solidão.
Aceitava o medo
ignorava meu desejo.
Sentia o ardor,
queimando meu coração.
Em meu corpo,
tudo era nada.
Tremor e frio,
deserto e aflição.
Queria-te,
te-queria.
Amava-te,
olhava-te.
Não o tinha,
guardava meus sonhos,
para dizer-lhe,
sobre o amor,
que vivo estava,
pulsando.
Trago comigo,
as memórias
Do amor não dito,
e a pessoa perdida.
O sonho concreto,
pura desilusão.
"O medo de sofrer, não nos deixa amar,
cala-nos diante do que sentimos, e nos prende no futuro de frio e solidão."
Marcadores: amor, desilusão, medos, mulher, sofrimento

Eu preciso respirar,
preciso,
como alguém solitário,
anseia por amar.
Eu preciso respirar,
dê-me ar,
dê-me ar,
dê-me a vida,
que insistentemente,
cansou de tentar,
fazer de mim,
ponto de partida,
do perfeito ao imperfeito,
cansou de mim,
e dos meus dias,
de medo.
Dê-me oxigênio,
um gás letal,
que possa simplesmente,
exterminar, minhas aflições,
meus medos.
Dê-me o ar que preciso,
dê-me a coragem,
que perco,
toda vez,
que ouso tentar.
Dê-me ar,
ou permita que,
meu sôfrego corpo,
finde em suas dúvidas,
de tentar.
Dê a minha alma,
a liberdade,
o existir,
e não somente,
divagar.
Dê-me, ar.
Dê-me, vida.
Sufoque, minhas dores,
Sufoque, minhas dívidas,
com a vida.
Transceda, deste corpo,
faça-o partida,
para que eu possa me elevar,
dê-me ar, dê-me vida.
Permita que eu possa viver,
para amar,
viver para amar,
amar para ser,
a vida,
que me deu,
através do ar.
Marcadores: amar, ar, imperfeito, letal, medos, oxigênio, respirar, sôfrego, solitário, transceder