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22:33

- - - -Polícia e Ladrão


"A vida não é um jogo, onde quem mata mais. Ganha mais pontos."


A correria nos impulsiona para os desastres, a falta de atençao. Sensação de puro e pleno desgaste. Vivemos em uma tremenda confusão, onde já não mais sabemos, quem é policia e quem é o ladrão.

Corremos, alimentados pelo desespero de sobreviver, nesta selva de pedra, onde chuva é de balas, atiradas pelas armas, dos que deveriam ser mocinhos, mas desesperados não se abalam, atiram e matam, com medo de serem mortos, todos são vitímas do caos.A diferença, é que entre os desesperados há sempre um, com uma arma na mão.

Estalos-Estralos, vidros, carros, corpos penetrados. Projéteis, movimentando-se no espaço, no ato do desesperado, causando o desespero alheio.

Este movimento baslístico alcansa aquele que rouba, aquele que estupra. Atinge em cheio o peito daquele que trabalha, dia-a-dia, o dia inteiro, para alimentar a sua família, tentando viver dignamente em uma país de hipocrisia, indigno de seu trabalho e luta, a injustiça hoje pulsa, no olhar de cada brasileiro, que chora as lágrimas do pai que perde um filho, e seu direito de educar aquele que seria um lindo cidadão Brasileiro, pagando seus impostos, votando e querendo melhorar este país inteiro.

Crianças e jovens inocentes, morrem e a incompetência se esconde atrás do medo. Não há defesa para as ofensas, que sofremos todo o tempo, quantos mais pagaram pela indiferença e pela incompetência daqueles que têm o poder, apenas pela oportunidade de corromper, e conseguir uma mala maior de dinheiro, sujo, banhado a sangue inocente, ainda quente, cheirando a vida, que fora retirada.
Almas, ainda não são capazes de pedir justiça.
O grito eloqüente dos que morrem, precisa se juntar aos que ficam, gritando, berrando, clamando e jamais esquecendo: É preciso existir justiça. Pelos que se foram, e para os que ficam.

A ignorância está nos matando pouco a pouco, e quem sobreviverá, se vivemos como loucos?

03:32

Cinzas de lembranças


Alanis Morrissete - Everything


"A coragem de exterminar o que nos corrói condena-nos a liberdade.
É preciso ter coragem, nos desprender do que foi, para vivermos, o que será."


Incêndio,

no sexto andar.
Lá já não havia mais nada,
mas incendiava.


Lágrimas rolavam,
mas não bastavam,

para diminuir o queimar.

Tudo se transformava em cinzas,

não existia mais nada.


Ouvia-se
gritos.
Não havia ninguém,
estava vazio.
Apenas uma caixa.

Lágrimas rolavam,
mas não bastavam.
Não faziam cessar o queimar,
do que restara.
A caixa.

Eram gritos e lágrimas,
lágrimas e gritos.
Silêncio.

Apenas ela ouvia o gritar,

desesperado, estridente.

Enquanto caixa era consumida,
pelas chamas,

onde guardara tudo,

que mais lhe valia.

Cinzas-Cinzas-Cinzas

Sem cor cinza,

negras como vazio.


A voz que escutara,
era a despedida.

A morte do que vivera,

e se ressentia,

por não mais vivenciar.


Viviam presas,
naquela caixinha,

as lembranças,

que decidiu matar.


Assassinou-as,
uma morte dolorida,
tal qual, a dor que sentia,
toda vez ,

que se permitia relembrar

Ateou fogo,
no sexto andar.
Onde morou,
com suas lembranças.


Não lhe bastou apenas,
dar adeus a vida que teve.

Ela precisou assassinar o passado,

para poder recomeçar.


Havia fogo,
no sexto andar.
Culpada,
pela morte,
do que a torturava.

Condenada,
a liberdade perpétua.
Que apenas os assassinos,
de dores,
podem gozar.

...Houve fogo,
no sexto andar...


"A coragem de exterminar o que nos corrói condena-nos a liberdade.
É preciso ter coragem, nos desprender do que foi, para vivermos, o que será."