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05:36

- - - Extremos





" Tenho chorado as mais dolorosas lágrimas, e tenho despido meu ser de egoísmo. Estou procurando um sentido, algo em que eu possa acreditar e me apoiar, para crer que as coisas serão diferentes, acreditar que o mundo não está ausente de si, e que existem muitos corações que batem sofrendo dores que não são suas, e que em desespero demonstram sua compaixão mesmo que adormecida."


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Os pecados ainda são os mesmos, e o monstro que nos assombra é o descaso e o medo que pairam, todas as vezes que nos questionamos, quando será a nossa vez, e quem será por nós. Dúvida cruel. Talvez!

E talvez o tempo, a vida, e o destino só estejam esperando a nossa vez de dizer, que não deixaremos quem sofre sozinhos, e que doaremos mais do que dinheiro, talvez seja a vez de aprender que o que precisa ser doado, é atenção, tempo, carinho e amor, talvez seja isso ainda mais do que tudo, ainda mais do que milhões, ou bilhões se querem saber, a dor não se cura com indiferença e investimento. Uma casa reconstruída não abonará jamais a perda de um filho.

E hoje estou bem, e estamos bem, convivendo com a distância confortável das dores alheias. Desmoronamentos, terremotos, enchentes, seca. Extremos. Milhares chorando, e outros tantos desfrutando de um conforto cruel, não por terem mais condições, ou não terem o azar de sofrerem com alguma catástrofe, mas cruel por serem indiferentes e ausentes.

Assistimos repetidamente imagens de sofrimento, crianças chorando, perdendo mais do que a felicidade, perdendo a esperança, vendo sua infância debruçada a desgraça. Vemos mães implorado por alimento, vemos pais em desespero, solitários buscando por suas famílias perdidas. Sem dignidade, sofrem.

São as cenas do presente, de um ano de 2010 que nem para todos começou como deveria, para aqueles que comeram lentilha, pularam as sete ondas, brindaram com champagne, ao passar de alguns dias, os fogos de artifício se apagam e no silêncio de uma reflexão solitária ecoará as vozes da agonia.

Seremos assombrados por nossos próprios pecados, e a única forma de estarmos livres é nos entregarmos à algo sem definição clara, mas que seja muito maior do que nossas futilidades de todos os dias. Talvez seja a sua vez de fazer e ser diferente.







04:44

- - -A barreira do minuto



Quando as lágrimas molharam o seu rosto, o sorriso se desfez, e deu lugar à uma feição de tristeza, que não lhe cabia n' alma.

Quantos mundos dentro de si existiria?
Em quantos dele, ela ainda se perderia?
Existiria dentro de si, algum porto-seguro?
Alguma luz, que a guiaria?

Estas e mais perguntas, surgiam em seu pensamento, desenfreadamente frenético.
O seu corpo doía, e sentia cada parte do seu eu, se desfazendo...

...Partes de si sobre a cama.
E ela rompendo a linha de cada minuto, com tamanho drama, de dor em desespero.

03:32

Cinzas de lembranças


Alanis Morrissete - Everything


"A coragem de exterminar o que nos corrói condena-nos a liberdade.
É preciso ter coragem, nos desprender do que foi, para vivermos, o que será."


Incêndio,

no sexto andar.
Lá já não havia mais nada,
mas incendiava.


Lágrimas rolavam,
mas não bastavam,

para diminuir o queimar.

Tudo se transformava em cinzas,

não existia mais nada.


Ouvia-se
gritos.
Não havia ninguém,
estava vazio.
Apenas uma caixa.

Lágrimas rolavam,
mas não bastavam.
Não faziam cessar o queimar,
do que restara.
A caixa.

Eram gritos e lágrimas,
lágrimas e gritos.
Silêncio.

Apenas ela ouvia o gritar,

desesperado, estridente.

Enquanto caixa era consumida,
pelas chamas,

onde guardara tudo,

que mais lhe valia.

Cinzas-Cinzas-Cinzas

Sem cor cinza,

negras como vazio.


A voz que escutara,
era a despedida.

A morte do que vivera,

e se ressentia,

por não mais vivenciar.


Viviam presas,
naquela caixinha,

as lembranças,

que decidiu matar.


Assassinou-as,
uma morte dolorida,
tal qual, a dor que sentia,
toda vez ,

que se permitia relembrar

Ateou fogo,
no sexto andar.
Onde morou,
com suas lembranças.


Não lhe bastou apenas,
dar adeus a vida que teve.

Ela precisou assassinar o passado,

para poder recomeçar.


Havia fogo,
no sexto andar.
Culpada,
pela morte,
do que a torturava.

Condenada,
a liberdade perpétua.
Que apenas os assassinos,
de dores,
podem gozar.

...Houve fogo,
no sexto andar...


"A coragem de exterminar o que nos corrói condena-nos a liberdade.
É preciso ter coragem, nos desprender do que foi, para vivermos, o que será."