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02:45

- - - Benditos


São as construções que destroem tudo, verticalizações vertiginosas do eu em outrora, em estado absoluto. Perseguições mal sucedidas, de um dia que já existiu. A tentativa honrosa de glória, e a derrota obstinada, suada.

Mudos eloquentes, observam a trágica história. Olhares de gatos arregalados, traiçoeiros, sagazes e ferozes.
Esperando pela fração do seu coração que se parte, ao ser devorado em estado covarde. Já nem bate, não pulsa e não impulsiona a fome do vencedor.

Tamanha necessidade, em morte, sem sorte, vagando como um perdedor. O peito ao vento, sinais de desalento, olhar lânguido em lágrimas inoportunas, secando-as em vergonha.

É o caminho que lhe vale, sem valia alguma. A anulação do seu passado que não fora entalhado, escrito na terra de um vale qualquer, desmorona.

Descalço sedento, tremendo em densa solidão. Os observadores silenciam seus olhares, e aplaudem a mais uma desilusão. É a derrota que lhe cabe, é o frio que lhe invade.

És mais um cristão abençoado em imersão, emergindo dos valores apaixonados. Há um Deus que guiará seus passos, mas de seus irmãos, apenas os aplausos, ao descaso com seu coração, que pulsa vivo fora de seu corpo, amargando ingratidão.

18:31

- - - Minuto



Será o último trago-
- o penúltimo orgasmo,
o suspiro bem dado.
Não, eu não-
-Não me apaixonarei outra vez.

Talvez eu goste dos acasos.
Da crença no predestinado,
eu levo apenas sementes,
não semeadas e mãos que não foram dadas.
Beijos marcados não me agradam.

Espero olhando pela janela,
sol e lua não se encontram,
a briza, e o tempo os separam.
A penunbra do meu quarto,
desnuda minha alma.
E meu corpo está coberto, acalentado.

Os remorsos me assombram,
temo não ter coragem,
enfrendo desastres diários,
mas não acreditarei em faz-de-conta,
que não conta histórias realizadas.
Estórias melodramáticas,
de princesa sem príncipe se repetem e desfazem,
os castelos juvenis ruínas, se fazem.
Eu não serei princesa de ninguém.

Ouço o vento movimentando as árvores ,
meu sangue bombeando meu coração,
pulsação que marca o tempo,
- para esta bomba explodir.