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02:17

- - - Abusar em existir

Os sorrisos foram perdidos, ficaram no passado, na ausência do registro do momento, do bom momento que fora vivido e que não voltará jamais.


Estamos perdidos no tempo, entre o passado, presente e futuro, sem saber para onde queremos ir, ou onde deveríamos estar.

Estamos procurando algum lugar que seja seguro. Estamos procurando algum paraíso perdido, com nosso nome na entrada e alguma garantia de felicidade.

Querendo ultrapassar a linha da distância, vencer a solidão, em que nos toleramos diáriamente, imploramos por um dose de felicidade, simples e pura.

Onde ficou aquele momento, que não tivemos tempo para perceber que estava passando, escorrendo por entre nossos dedos, o toque, a pele e sentir o cheiro para encontrar formas de nunca esquecer. Nossas memórias irão se perder, com o passar do tempo, e não existirá o que nos faça reviver, todas as alegrias de um dia, se não continuarmos na busca por fazer algo que jamais desejemos esquecer.

Estamos querendo abusar do tempo, transformar horas em dias e os dias em uma vida, cheios de histórias para contar. Que seja assim, sufocados por essa vontade infinita de ser além do que podemos e ir além de onde deveríamos, descobrir o que jamais imaginamos existir. Do amor a dor, e de ambos o ardor de estarmos vivos, respirando aflitos, pois quando a hora chegar, será simples, sem maiores feitos ou fatos a vida se fará silêncio, deixaremos de existir.

01:23

- - - [Iah-hel] Um anjo

Um anjo falou em meus ouvidos.

- Sonhe menina, crie asas e vá longe.

Eu abri os olhos e eu ainda estava no meio da cidade, e esta frase, foi dita em um segundo, e sentida por horas e horas e dias, semanas, meses e anos.

Me lembro como se fosse hoje. Eu tinha apenas meus 15anos.

Se passou muito tempo, mas não haverá tempo que se passe, para dar fim a minha sensação de liberdade e busca pela felicidade pela qual tenho vivido desde aquele dia.

Tenho sonhado com as asas, que por vezes me falham e me deixam cair de cara no chão de concreto, o qual é a minha vida. Mas nos obstáculos, estas mesmas asas, elas mesmas, que me fazem subir aos céus saltando as pedras em meu caminho.

Um anjo disse à mim: Não tenha medo do desconhecido.

E mais uma vez, soube que não estava sozinha, mesmo que eu ainda fizesse a pior escolha de minha vida, ele estaria ali, falando exatamente o que eu precisava ouvir, para sentir quem de fato eu era, ou seria.

A vida está passando e eu não estou de passagem, sou capaz de sentir isso, mesmo que por dias, fique aflita. Não sei de muitas coisas, só sei que tenho asas, e não tenho medo dos abismos.

Um anjo falou à mim: Você é o amor da minha vida.

E eu sigo meus dias, acreditando que a cada dia estou sendo amada, por alguém que não conheço, algo de força incomun, estou seguindo minha trilha, que talvez me leve até onde ele está, para que eu entenda por que me amar assim, e me escolher para saber, que eu posso voar, e não preciso temer, e que sim, eu sou amada como ninguém mais.

Um anjo não me disse, mas, os anos estão se passando, e eu tenho sentido cada vez mais coisas inexplicáveis, e estou aprendendo sem ninguém me ensinar coisas sobre a vida, estou assistindo os atos, os acasos, os comportamentos abalados, e não sei descrever no que estou me tornando.

O anjo não me disse, que um dia eu seria um anjo.
Um frase, em um segundo, para marcar e transformar uma vida.

"Tenha coragem, tenha vontade e tenha amor. "

Vocês só saberão o que é a liberdade, quando descobrirem o que de fato é o amor.







16:50

- - - O show tem que continuar

Sobre essas encenações tenho apenas uma unica coisa a falar: Se continuar assim não vai dar!


Não consigo ver verdade nesse sorriso, nem me arrepiar com a gargalhada escandalosa, da piada mal contada das desventuras diárias.

Esse choro preso, esses olhos sem água, sem lágrimas, sem saudade, sem amor, sem tristeza, sem verdade, nem mesmo para pensar no que já foi, no que nunca será, na ausência que corrói, ou na presença que alimenta, nada emociona nem mesmo se tentar.

Estão forçando o amor, estão forçando as palavras, e se não tiverem nada melhor para dizer, que não digam, pois o silêncio e mais eloqüente do que todas as palavras vomitadas em uma retórica decorada e incorrigível, o programa aqui é ao vivo e não há tempo para apagar, ou arrumar o que já não tem mais jeito...

...Sem jeito é também, o abraço afrouxado, é o beijo sem lábios e o aperto de mão forçado.
A prática leva a perfeição, a entrega, a necessidade, a saudade, a vontade que nos deixa à vontade. Não praticar verdades, nos leva a mentiras, mentimos não somente nas palavras, mas em nossos atos, tão forjados e falsos.

Estamos ligados no automático, como a câmera que não nos filma, não temos registro para ser usado como prova de culpa, pela incompetência em atuar livremente, viver sem pudores, sorrir com todos os dentes, chorar debruçado nas dores, as dores de verdade, aquelas que ninguém mais sente.


Ainda contando os milagres que você não acredita, segue dizendo as coisas que até Deus duvida.

E todas as cenas vão acontecendo, como um show sem nexo. Há de haver algum sentido, mesmo que na contramão de tudo e de todos, esse roteiro não pode estar assim tão perdido.

Mas mesmo assim, sendo tudo ao vivo, existe o intervalo para alimentarmos outras tantas vaidades, nesse momento quem encena grita, quer convencer, seduzir em um desespero aflito, de ser de muitos de ganhar sobre todos os custos, de ser o melhor, o maior, o absoluto. É uma guerra declarada de quem chama mais atenção. Gritem seus abusos por favor! Quem dera aqui cada um tivesse apenas trinta segundos. É um intervalo sem fim...

...E quando roubamos a cena e voltamos ao programa original, depois de algum tempo imergido na perdição das nossas cenas, talvez façamos valer a pena, deste até o último bloco, para que então existam aplausos, que não sejam meramente, efeitos sonoplásticos...


01:43

- - -Desbotando



Vai fingindo que está tudo certo, mesmo quando do céu, desbotam todas as cores. E não resta nada além do deserto assustadoramente cinza. Seus imaginários caem por terra, duendes e fadas criadas em um dia de sol, que virou chuva, que virou lama, que virou drama.

É da janela que assiste a todas as cenas, um cinema mudo, que lhe permite dar o tom incerto, também pudera, participar de tal trama, é um desejo inigualável, de ser telespectador inato. Para poucos, existe um registro, um traço, de um desenhista que figurava dores, e acertou em cheio na que sente aquele que se senta em frente a ausência das cores.

Tudo vira arte quando se arde, antes que o fogo queime-o por inteiro, e de tudo exista apenas o pó, que nada é mais, do que o vazio do consumido.

Existe um tempo, mesmo que esteja se esvaindo por entre dedos, de outras mãos que não as suas. Ainda perpetua, a crença imaculada de uma tragédia, real, vista como abstrata.

É permitido dissimular, acreditar no inacreditável, é permito sonhar e com isso fantasticamente torna real a possibilidade imutável de frustrar-se, mais uma vez das outras tantas, que guarda em sua gaveta trancada a dez chaves e um cadeado com o peso do mundo.

É no silêncio que se encontra as mais amplas respostas, das supostas dúvidas eloquentes que consomem o inconciente. Mas um som articulado e afinado ecoa, ao fundo de tudo...

...Esse silêncio é como uma linda dama, necessita ser conquistado, cuidado e amado. Não é fácil.

A noite chegará, o preto tomará o cinza. E mais uma vez, não se saberá, se haverão cores, para desbotar se assim tiver de ser, no remoto, próximo dia.



05:36

- - -Cortinas e escolhas



Ao fim do dia, sou apenas a mesma pessoa. Quando meus olhos se abrem e as cortinas do dia se fecham, demonstrando que o espetáculo se encerrou, estou eu sozinho observando o caminho de estrelas que se fazem em um céu que sempre está lá, mas nem sempre sou capaz de observar.

Não há como fugir, e por mais que eu queira, certas coisas jamais seram como eu gostaria, e o próximo dia irá se aproximar arrebatador, e o que farei eu se não houver mais esperança, e nem mesmo uma fagulha de crença de que eu, assim como tudo, pode mudar.

Os dias seram uma sequência repetida?
E os sonhos apenas sopros de ilusões malditas?

Eu já não sei o que esperar da vida. Ao me observar, perplexo. Existem emoções contidas, e outras que julgo conhecer, mas temo pela verdade, existe apenas a teoria.

O quanto sou capaz de ser feliz, ainda é uma idéia vaga. A felicidade é uma espaço desconhecido, do qual, exijo tantas maravilhas. Seriam elas utopias?

Faz um tempo que não sinto a paz necessária, para fechar meus olhos cansados, deslumbrados, cheio de vida.

Movido a uma velocidade incompreensível por inquietas paixões perturbadoras, ainda posso senti-las, mesmo que dia-a-dia, uma a uma, esteja se quebrando dentro de mim, e espalhando-se como larva quente queimando-me, e com minha paixão tento mantê-las desta maneira, por maior que seja a dor, por maior que seja o ardor, pois melhor que sejas assim, antes que tudo vire rocha, cinza, dura e sem vida alguma. Pedrificando-me, deixando apenas o desenho do caminho em dores e dramas.

Até quando minha paixão resistirá, os caminhos são poucos, a coragem é surpreendente, há forças que até mesmo eu desconhecia, mas quieto, ao fim do dia, sendo apenas quem devo ser, fecho meus olhos, em um rompante amedrontado, tentando fugir da inevitável verdade, de que a cada amanhecer, a chama reacende, mas se a apaga pouco a pouco em todo anoitecer.

Não há escolhas a fazer, apenas a certeza de que, posso morrer queimada em paixão, ou endurecida em solidão.

02:09

- - -Valentina




Sentiu o vento tocando seu rosto, e a sua pele, arrepiava-se, caminhava tranquila por entre as ruas de um bairro amigável, de ruas largas e arvorizadas.

Havia um suave frescor em seus pensamentos, deleitava-se em contentamento, sentindo sua existência branda e fugaz, mas isso não lhe causava tormento, era suave seu existir, e sentia por entre seu corpo, percorrer um leve ardor de paixão por si, tremendamente apaixonante.

Observava misteriosamente os transeuntes, que lhe cruzavam o caminho, traziam lânguidos semblantes, causava-lhe certo espanto, passou a imaginar os ímpetos do destino que atormentavam e desviam a felicidade de cada um que cruzava seu caminho, por um dia ao menos, era capaz de não ser egoísta e avaliar o que estava além de si.

Continuava a caminhar desprenteciosamente por um caminho jamais feito em sua rotina, crianças e seus sons de infância, gritos, risos e murmurinhos. Senhores e senhoras, sentados em suas cadeiras debruçados em suas histórias, desfrutavam de mais uma manhã de sol.

Era estranho o dia, acostumada com a noite figurando devaneios secretos, o sol, não lhe concebia inspiração, ou imaginação, também pudera, quase não o conhecia, mas por hoje, resolvera, vivê-lo e conhecer as horas que se seguiam iluminadas, aparadas por sonhos ainda verdes, por ilusões resplandecentes, como dissera, para si, ela estranho o dia...

Tendo sua visão ofuscada pelo brilho do sol que já não mais cabia no céu de tão grande, tomou a rua oposta ao bairro, indo em direção ao centro da cidade, passos curtos, largados. Carros passavam com sua rapidez agoniante, havia por hora o som da adolescência, risos e mais risos, apelidos, incoerências, sons que passavam desapercebidos, na transição da calmaria para o burbulhão de afazeres e emoções diárias do mundo pulsante. A adolescência, passara em frente de um colégio, garotos e garotas, variando seus destinos, e se encontrando nas esquinas sorrindo, músicas ao fundo, em plena luz do dia, onde tantos viviam calmaria, eles perpetuavam uma semente da noite libertina, convidando os que os observavam silenciosamente para dançar e brindar a vida, que ainda estava sendo descoberta, beijos, abraços, bocas e sonhos. Realidades destruídas talvez, mas seus sons, sempre denotavam esperança.

Seu caminho seguia, agora imbuída do sentimento do desconhecido, ou do esquecido, atormentada por jamais ter se permitido tamanha loucura. Jamais ter experimentado uma viagem tão simples e próxima que não lhe custara nada, apenas a disposição de seu corpo, e de seus sentidos. Respirou profundamente o ar e mal o sentia poluído, era como se tudo houvesse tomado um tom diferente, e a música que ritmava sua vida, houvesse mudado seu ritmo, e agora não mais, levada por seus tons eletrônicos, pulsantes, da música contemporânea, permitia-se, dançar ao som, de uma suave melodia clássica...

...Caminhava,
envolvida por uma vida esquecida, julgada desconhecida.

Passeava por seu passado, e admirava seu futuro, e as possibilidades de vida. Estava em um labirinto mas não estava perdida, apenas não sabia a exatidão da saída, e continuava percorrendo as veias de uma pequena cidade, cheia de deleites e emaranhados sentimentos guardados, para quem os quisesse sentir.

Aguardava sem pressa o momento certo de atravessar uma avenida que dividia a cidade em duas metades, esperara o sinal vermelho, para que pudesse atravessá-la, estaria deixando novamente para trás tudo que a fizera sentir-se viva, tinha certeza que isso jamais aconteceria, e que dali em diante, cada novo dia, faria um caminho diferente, entre o passado, e lugares onde pudesse imaginar seu futuro, instantes duradouros, sinal verde, para a vida.

É o presente, som de buzinas, gente falando, a cidade não mais adormecida, respirava e despertava para seguir seu dia, realista, otimista, sabendo que tudo é muito mais do que parece, que existe beleza, e que o tempo cordenado, potente, mentiu. O caminho é longo, os dias são longos, e existe tanto a se conhecer, e que é imprescindível não se esquecer de reviver as quimeras que no passado existiam, e perpetuar os sonhos alimentando a beleza de existir, atrevessou a rua contente, entrou em um prédio, subiu 22 andares em um elevador moderno, adentrou um escritório com o ambiente tomado por um ar gélido, sentou à sua mesa, despiu sua sala, abrindo as cortinas, e avaliou, o quão grande é o espaço que a cerca, jamais aceitaria o fato de não conhecer tudo que podia, o mundo a esperava ao pôr-do-sol, o dia seguiria, sem mais rotinas, haveria a noite que já a incitava pelas suas supresas...

...E ao fim a certeza, de que haveria outro dia, outra vida, outra Valentina.



01:46

- - - Um pouco mais vermelho



Alimentando quimeras, sobrevoando espaços não percorridos pelos outros, vou plantando sementes, sonhando com o verdadeiro sentimento de vida. Para mim a humanidade não está perdida, vejo por mim, aqui dentro ainda bate um coração!

São tantos os dias, que findam deixando marcas bem-vindas. As marcas que me orgulho em mostrar, não as escondo, são sorrisos eternos, abraços sinceros, beijos vermelhos de amantes verdadeiros.

A vida está repleta de mim, a vida está repleta de emoções não vividas, emoções que são contidas e não deveríam. Todos deveríamos surtar em delírios emotivos, beijar, amar e acalmar as dores alheias, os medos e temores.

Olhares atentos, percorrendo por dentro o ser que existe em cada um, além do que vemos, existe mais a oferecer, e não é sonho, é realidade passada ao descaso, não devemos continuar assim, sendo, sem ser.

Minhas mãos estão abertas, meus braços estendidos, esperando para abraçar o indescrítivel sentimento de amar. Preferes ser amado, ou odiado sem motivo algum?

Estou amando a quem não me ama, e não sei o que é sofrer.
Estou amando a quem me ama, e isso me alimenta, me bastanto de sentimento, para ser dado como presente, a alguém que existe como eu já não mais existo. Eu vivo!
Vou percorrendo os sentimentos mais puros. Vou vivendo.

Quem julga viver, a ação de fazer, atesta um erro perfeito, mas eu, vou seguindo a linha da imperfeição dos sentimentos, do correspondido ao incorrespondido, sedenta por sentir e não mais mentir a minha essência. Sou humana da cabeça aos pés, mas minha alma, hoje clama pelo amor e pela vida, dei-lhe asas, e vivo liberta das profanidades pequenas, dessa humanidade que tenta sobreviver em misérias falsas, em casos forjados de dor, quando no mundo existem tantos despejando amor.




"Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego"
Vermelho- Vanessa da Mata

16:07

- - - Desconhecidos anseios



Pensando bem:

Tá faltando a graça e as palhaçadas que nos façam rir.

Tou contando desgraças, me emprestas uns dedos aí?

Nessa vida de mordaças, sou sadomasoquista por imposição!


Entre trapos e agrados,
na linha interminada, facetas montadas, é a minha opção.

Quero o seu riso mais intenso, seus olhos os mais atentos.

Existe uma nova constituição, constituída em descaso e embaraços sociais.

Na sarjeta glamurosa, seu brilho vencido ofusca a verdadeira visão.

De salto nas esquinas, despido no inverno, em frente ao restaurante passando fome;
não come, não desfila, não veste os panos da moda.

"Senhora me dá um trocado?"
Não, ela só tem notas de cem!

Vamos seguindo em nossos blindados, ignorando e ignorável, fingindo que está tudo bem!

Enquanto pagamos pela nossa felicidade, tendo a sorte dos que não tem,
criamos monstros invisíveis, que ao fundo do que não sabemos,
são crianças com anseios, e sonhos pequenos, e o simples desejo de uma vida verdadeiramente feliz.

02:45

- - - Benditos


São as construções que destroem tudo, verticalizações vertiginosas do eu em outrora, em estado absoluto. Perseguições mal sucedidas, de um dia que já existiu. A tentativa honrosa de glória, e a derrota obstinada, suada.

Mudos eloquentes, observam a trágica história. Olhares de gatos arregalados, traiçoeiros, sagazes e ferozes.
Esperando pela fração do seu coração que se parte, ao ser devorado em estado covarde. Já nem bate, não pulsa e não impulsiona a fome do vencedor.

Tamanha necessidade, em morte, sem sorte, vagando como um perdedor. O peito ao vento, sinais de desalento, olhar lânguido em lágrimas inoportunas, secando-as em vergonha.

É o caminho que lhe vale, sem valia alguma. A anulação do seu passado que não fora entalhado, escrito na terra de um vale qualquer, desmorona.

Descalço sedento, tremendo em densa solidão. Os observadores silenciam seus olhares, e aplaudem a mais uma desilusão. É a derrota que lhe cabe, é o frio que lhe invade.

És mais um cristão abençoado em imersão, emergindo dos valores apaixonados. Há um Deus que guiará seus passos, mas de seus irmãos, apenas os aplausos, ao descaso com seu coração, que pulsa vivo fora de seu corpo, amargando ingratidão.

18:17

- - - Ciranda da liberdade


De mãos dadas, rodemos!

Atados no espaço infinito de viver, cantemos!

Entrelaçados em um ato de amor, suspiremos!

Correndo por entre espaços vagos, abracemos!

Serenos e neutros pulsando, dancemos!

Atentos ao campo minado, olhemos!

Suavizando emoções dolorosas, choremos!

Elevando sensações abruptas, riremos!

Indo além do que se deve, perseguiremos...
...na roda das emoções iremos,
sendo corpo, alma e mente. [Rodemos]

04:22

Qual o sentido?



... Tem um bom tempo, que não consigo unificar letras, formando palavras e palavras para formarem frases, que façam algum sentindo, talvez essa ausência se dê, por toda a falta de sentido que tenho tido nos meus passos percorridos diariamente.

É inutil escrever o que ninguém entenderia, é preciso haver um sentimento mais profundo ao escrever mesmo que se fale sobre o vazio, é preciso haver verdade mesmo se for falar sobre desamor, e você jamais o tenha vivido (o que seria uma tremenda sorte).

Há dias que o sentido se encontra na pulsação forte embalada por um desejo louco de ser mais você, e neste momento encontra-se o sentido do porquê, de tudo ser como é, e o mundo se transfigura e sua imperfeita perfeição, jamais fizera tamanho sentido.

O mundo está a nossa frente, as pessoas ao nosso lado, sentimos os perfumes, ouvimos as suas vozes, olhamos os seus olhos, mas não sabemos quem elas são, e o sentido é não saber para onde iram, ou de onde estão vindo. E você para onde vai?

Qual é o sentido?
Vou seguir a nove de julho sentido centro, e encontrar algumas mulheres da vida vivida, e homens que se vestem com as cores do arco-íris, estampando no peito, que o sentido é ser diferente e viver a liberdade que os fazem existir. E as mulheres da vida, mostraram-me suas marcas, e suas histórias, e levantaram a bandeira da coragem, forjada com batom vermelho nos lábios.

O sentido é percorrer o infinito, permitindo que as barreiras se cubram de verdade e mostrem, quais são elas, dentre, vírgulas e pontos.

Vou seguir sentido centro de tudo que é imperfeito, mas que é o eixo correto para chegar ao ponto final de tudo isso, chegar ao deslumbramento que se torna o último rompante, onde o ar invade os pulmões com uma força tamanha que os arromba, partindo-os em pedaços, pequenos tais quais as estrelas que iluminam, seram meus fragmentos de vida, meu sopro, divididos com todos, registrado com o meu sangue, minha vontade, e minha lúcida loucura apaixonante de fazer com que cada esquina, conte, uma história que jamais será esquecida, eternizando o mais simples, o que seria simplesmente esquecido.

O sentido é nove de julho, sentido centro!

03:57

- - -Ser/Vivo



O tempo passa, e todos sabem disso, mas por vezes esqueço deste medo e mito, de que a vida corre depressa demais, e que é preciso ter pressa. Eu ando com calma, caminho pela vida, como caminho pelas esquinas em um dia de primavera. A vida é uma eterna primavera, onde a paixão é vivida com sua exuberância entorpecente, flores nascentes. E o que me basta, é vê-las crescendo, e me encantar com a sinuosa diferença, que transborda na essência de cada espécime.

Todos me dizem " Esteja alerta". Mas percorro distraída, com uma inteligência distinta, observando silenciosamente, os sinais de vida.

Existe vida em tudo que é imaterial, mas pela objetividade do que toco, prefiro sentir o que não é visto, tocando até o mais bruto objeto.

Seu corpo, é o que me faz alerta, apenas ele e nada mais, pois sinto os meus instintos.

Hoje eu apenas respiro, e isso me faz mais vivo do que qualquer outro ser com suas milhares de quimeras, quisera eu tê-las, quisera. Hoje tenho o ar invadindo meus pulmões, arrombando minhas entranhas virgens de vida, e a fumaça esquisita, me faz sentir o gosto amargo dos erros cometidos por outros. E outros, me ensinam a ser mais do que um reles ser vivo, sou humana, da cabeça aos pés, e um ser em minha alma, límpida, conhecedora dos devaneios ordinariamente mundanos.

Gritarei divagando, soluçando mágoas, gargalhando incertezas,a vida é uma beleza ímpar de loucuras muitas, onde cada passo dado é um abismo atravessado.

20:38

Registrado, corpo, alma e mente




Do fato, o ato,
registrado e marcado.

Recordo-me do seu sorriso,
ao despertar em manhãs de chuva. Registro.

E todos os passos que dei em direção ao desconhecido,
o abismo fez-se a minha melhor opção.

De fato, retrato, todas as dores que trago.
De fato, não tolero amarguras, indigestas.

A realidade é o melhor presente,
embrulhado com papel transparente,
cria-se imagens, monstros e fadas.

Idéias ilusórias, são a fuga permitida.
E eu nessa constante corrida,
indo alcançar o inalcansável mundo incrível.

Do fato, fez-se o ato, de sonhar e perder-se.
De fato, fez-se o ato, de perder-se e encontrar-se.
Do fato, fez-se o ato, registro, imaginário, de vida vivida,
sorriso constante, mesmo em manhãs tão cinzas.

03:58

- - -Corpo em palavras


Escorrem em mim, entre as dobras e linhas do meu corpo,
sentimentos transformandos em códigos, palavras decifráveis,
mesmo que eu não as entenda.
Cada palavra, tem vida própria, e pulsa como parte de mim,
e toma o branco da folha, da imagem do nada, transformamando...
...cada espaço vazio em um mundo repleto de elementos,
sentimentos.
Escorrem por entre meus dedos, borrando um pedaço do contexto,
as verdades que ninguém conta, as mentiras que todos dizem.
Eu faço apenas a minha parte, deixo-me transmitir o que tiver de ser,
pois quando deslizam pelo meu corpo, tomando, folha, mãos, coração,
não existe controle, eu perco o controle de tudo, e sou apenas um laço,
que liga o tangível com o imaginário, de todos que não conseguem dizer o que sentem,
e todos aqueles que também não sabem, sentir a vida, pulsando, disparada, acontecendo,
frente-a-frente, consigo, com aquele e com tudo isso.
Dentro das palavras, a vida se faz, nasce, acontece e morre.

17:54

- - - Aroma de flor e vida



No fundo da alma, confesso existir, contentação. Inesperadamente sorriu descontente, olho em volta, há liberdade. Mas eu a chamo de vazio, quero percorrer os campos floridos de primavera, entre rosas, jasmins, violetas e margaridas. Sentir o aroma de vida, sendo penetrado em meu corpo, em meus poros,e as horas já não faram sentido, quero dia sendo noite e noite sendo dia, sair caminhando, e levando aos moribundos andarilhos, viventes, perdidos, o cheiro de vida que encanta e fascina.

Existe algo além daquela grande construção cinza. Existe vida, dentro, ao redor, em baixo e em cima.Mas após, o horizonte irradia, púrpura da tarde que finda, não é fim, é ínicio, principio de qualquer coisa que se queira, sonhe viajar, pois no mundo não existem fronteiras, o seu pensamento eleva, dores amores e quimeras. O aroma que despejo no mundo, alimenta, esses atos profundos de viver, sem acreditar estar preso em um furação monstruoso, que engolirá a todos no final.

Olhando para as minhas mãos, vejo linhas de acontecimentos, perdidos no tempo, que não existe para mim, veias correndo sangue, líquido vermelho, apaixonado por existir, quero minhas garras, ensanguentadas, vermelhas, por buscar o que quero, o que preciso sem desistir. Atingir, o ponto máximo da existência, alimentar o meu corpo e minha alma, exterminar minhas dores, medos, horrores e sentir então, a evolução chegar a mim, enfim.

19:21

- - -Um dia de completa loucura



Palpita coração, batendo desacelerado, pulsando forte, surtando, em tentar reanimar, o inanimado.

Falta paixão, tesão e coragem. A pele sente saudades de arrepiar-se, os olhos, arregalados, supresos, tentando esconder o medo.

O suspiro- inspiro, relaxo. Um lapso de um simples momento.
Eu e a paixão. Eu e o medo. Eu e o tesão.

No momento, só me olho no espelho, e não vejo nada, além de olhos com universos finitos, com pavor e sem brilho.

Eu quero fazer amor comigo, eu preciso, gozar a minha vida, meus sonhos indefinitos, acreditar que posso descobrir o infinito, espontâneo momento, definido, pelas linhas do meu corpo, abrigo, de vida, o oposto do que eu visto, roupas escuras, noturnas, por onde não escapa, fugaz, raio de luz.

Eu quero fazer amor comigo, contentar-me e espalmar minhas mãos, no meu lençol depois de um dia, de uma rotina boa, poder fechar os olhos, e o sorriso revelar, as minhas loucuras cometidas.

03:52

- - -Feiliael



A sua seriedade calma,
zela por mim.
Transfigura meu eu,
acorda-me do sono,
dos que não sonham,
e vivem em pesadelos redundantes,
que não os fazem mais,
eternamente em uma constante, perdidos.
Agita-me com as tuas asas luminosas.
Coloca meus pés no chão,
mesmo com lodo não me importa,
quero sentir o úmido do descuido.
Mesmo caindo, estarei subindo,
progredindo, indo aos céus,
de mãos dadas contigo.
E se ainda assim for preciso,
grite em meus ouvidos,
tapados, pela rotina madrasta.
Quero seguir, seus amores,
seus brilhos,
suas asas,
até encontrar o céu,
e tornar-me estrela que brilhará,
no olhar de outros, poucos
que procuram uma luz para se guiar

16:15

- - - Apressada prece de amor



Lançava-se no precipicio de amar, e amava com o fervor dos que têm fé e se ajoelham aos pés de Deus.

Ela, se ajoelhava diante do seu amor, e dedicava os seus melhores sorrisos, suas mais intensas lágrimas, e repetia diariamente, a prece, que pedia por si, para que o amor nunca fosse capaz de se matar.

Pois sabias, que um homem sempre é capaz de findar com aquilo que lhe é importante. Buscava nas suas palavras demonstrar quão entregue estava, apenas, amava. E em seus suspiros residia, o preenchimento do vazio que era seu corpo, sedento, com febre de paixão, amor e contentamento.

De joelhos, também entregava-se ao seu desejo, e seu corpo divino, clamava, pelas profanidades, esquecidas e não vividas para dar-lhe o ar necessario, d'uma simples humana, que se julga composta de carne. Desejava involuntariamente, em um espasmo físico beber o bendito líquido, de gosto indefinível, para reviver a plenitude, o encontro perfeito, sedução envolvente, de amor e paixão cega, entrega, prece susurrada aos ouvidos do amor, enquanto existe o encontro de seus corpos e almas, perdidas, no espaço de uma cama vazia, em uma noite nublada e fria.

00:10

- - - Lúdico outono




Vi folhas caírem.

E desejei cair,
do meu mundo de farsas,
pilastras falsas,
que teimam em me sustentar.

10:33

- - - O horizonte compartilhado



Caminhe de mãos dadas comigo,
á noite.
Eu quero encontrar as estrelas que se escondem do meu olhar.
Existe avidez neste encotro,
preciso percorrer o suposto,
caminho das estrelas,
que me levará ao paraíso.
Sim, você estará comigo.
Não tenha medo de desvendar,
as estrelas não iram lhe ofuscar.
Brilhos, sempre vêm para somar,
só é preciso saber lidar.

Caminhe de mãos dadas comigo,
á noite.
Eu quero encontrar as estrelas que se escondem do meu olhar.

Nada mudará se algumas se apagarem, a beleza, é a diferença, que sempre se encontra,
tanto no céu, quanto na terra e no inferno, se você se permitir lá chegar.
Não quero voar, apenas encontrar as estrelas que se escondem do meu olhar,
você, irá me acompanhar?