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02:05

- - -De quanto tempo se faz uma vida




6:30.
Então você desperta de um sonho que não quis sonhar, abre os olhos alerta, querendo acreditar que não fora realidade, apenas um devaneio.

O sonho estava bom, e você mente para si, afirma a mentira e acredita.

De quantos sonhos se faz um mentiroso?
De quantas frustrações se faz um iludido?

Para essas perguntas restam apenas outras perguntas e você continuará se questionando, como se não fosse, mentiroso e iludido.

Volta a dormir tranquilo, sem receio, mas com um prazer malicioso de cada uma das cenas que até a pouco via em seus sonhos.

Existe um desejo fugaz de que o sonho continue, mas após tanto desprezá-lo, sabemos bem, que ele tinhoso, jamais voltará para o subconciênte de uma mente que mal aceita o que verdadeiramente quer.

6:35
Em pouco tempo se apaga e se alimenta imensas vontades.
De quantas noites se faz uma vida?
De quantos pesadelos se vive a realidade?



02:09

- - -Valentina




Sentiu o vento tocando seu rosto, e a sua pele, arrepiava-se, caminhava tranquila por entre as ruas de um bairro amigável, de ruas largas e arvorizadas.

Havia um suave frescor em seus pensamentos, deleitava-se em contentamento, sentindo sua existência branda e fugaz, mas isso não lhe causava tormento, era suave seu existir, e sentia por entre seu corpo, percorrer um leve ardor de paixão por si, tremendamente apaixonante.

Observava misteriosamente os transeuntes, que lhe cruzavam o caminho, traziam lânguidos semblantes, causava-lhe certo espanto, passou a imaginar os ímpetos do destino que atormentavam e desviam a felicidade de cada um que cruzava seu caminho, por um dia ao menos, era capaz de não ser egoísta e avaliar o que estava além de si.

Continuava a caminhar desprenteciosamente por um caminho jamais feito em sua rotina, crianças e seus sons de infância, gritos, risos e murmurinhos. Senhores e senhoras, sentados em suas cadeiras debruçados em suas histórias, desfrutavam de mais uma manhã de sol.

Era estranho o dia, acostumada com a noite figurando devaneios secretos, o sol, não lhe concebia inspiração, ou imaginação, também pudera, quase não o conhecia, mas por hoje, resolvera, vivê-lo e conhecer as horas que se seguiam iluminadas, aparadas por sonhos ainda verdes, por ilusões resplandecentes, como dissera, para si, ela estranho o dia...

Tendo sua visão ofuscada pelo brilho do sol que já não mais cabia no céu de tão grande, tomou a rua oposta ao bairro, indo em direção ao centro da cidade, passos curtos, largados. Carros passavam com sua rapidez agoniante, havia por hora o som da adolescência, risos e mais risos, apelidos, incoerências, sons que passavam desapercebidos, na transição da calmaria para o burbulhão de afazeres e emoções diárias do mundo pulsante. A adolescência, passara em frente de um colégio, garotos e garotas, variando seus destinos, e se encontrando nas esquinas sorrindo, músicas ao fundo, em plena luz do dia, onde tantos viviam calmaria, eles perpetuavam uma semente da noite libertina, convidando os que os observavam silenciosamente para dançar e brindar a vida, que ainda estava sendo descoberta, beijos, abraços, bocas e sonhos. Realidades destruídas talvez, mas seus sons, sempre denotavam esperança.

Seu caminho seguia, agora imbuída do sentimento do desconhecido, ou do esquecido, atormentada por jamais ter se permitido tamanha loucura. Jamais ter experimentado uma viagem tão simples e próxima que não lhe custara nada, apenas a disposição de seu corpo, e de seus sentidos. Respirou profundamente o ar e mal o sentia poluído, era como se tudo houvesse tomado um tom diferente, e a música que ritmava sua vida, houvesse mudado seu ritmo, e agora não mais, levada por seus tons eletrônicos, pulsantes, da música contemporânea, permitia-se, dançar ao som, de uma suave melodia clássica...

...Caminhava,
envolvida por uma vida esquecida, julgada desconhecida.

Passeava por seu passado, e admirava seu futuro, e as possibilidades de vida. Estava em um labirinto mas não estava perdida, apenas não sabia a exatidão da saída, e continuava percorrendo as veias de uma pequena cidade, cheia de deleites e emaranhados sentimentos guardados, para quem os quisesse sentir.

Aguardava sem pressa o momento certo de atravessar uma avenida que dividia a cidade em duas metades, esperara o sinal vermelho, para que pudesse atravessá-la, estaria deixando novamente para trás tudo que a fizera sentir-se viva, tinha certeza que isso jamais aconteceria, e que dali em diante, cada novo dia, faria um caminho diferente, entre o passado, e lugares onde pudesse imaginar seu futuro, instantes duradouros, sinal verde, para a vida.

É o presente, som de buzinas, gente falando, a cidade não mais adormecida, respirava e despertava para seguir seu dia, realista, otimista, sabendo que tudo é muito mais do que parece, que existe beleza, e que o tempo cordenado, potente, mentiu. O caminho é longo, os dias são longos, e existe tanto a se conhecer, e que é imprescindível não se esquecer de reviver as quimeras que no passado existiam, e perpetuar os sonhos alimentando a beleza de existir, atrevessou a rua contente, entrou em um prédio, subiu 22 andares em um elevador moderno, adentrou um escritório com o ambiente tomado por um ar gélido, sentou à sua mesa, despiu sua sala, abrindo as cortinas, e avaliou, o quão grande é o espaço que a cerca, jamais aceitaria o fato de não conhecer tudo que podia, o mundo a esperava ao pôr-do-sol, o dia seguiria, sem mais rotinas, haveria a noite que já a incitava pelas suas supresas...

...E ao fim a certeza, de que haveria outro dia, outra vida, outra Valentina.



03:11

- - -As lindas também peidam!



Em todos os lugares estão elas, as mulheres que fazem os homens ficarem de boca-aberta, com suas pernas delineadas, curvas perfeitas, pescoço alto, colo sedutor, cabelos sedosos como os dos comerciais de Tv. Exalam J'adore, é são as mulheres Dior. Gucci também, e por que não Dolce & Gabbana ?

Vestem-se sempre como se estivessem indo para um encontro perfeito, sedas, malhas finas, decotes ousados, mostrando e ressaltando tudo o que há de mais magnífico, criação divina!

Quem dera todos os homens que as observam tivessem alguma chance de trazê-las para perto deles. Essas mulheres são o sonho inalcansável, de todos os seres comuns, réles mortais, que satisfazem-se admirando-as, e imaginando os delírios mais incríveis.

Loiras, morenas, ruivas, negras, asiáticas, belezas diferentes que se completam alimentando os sonhos masculinos. Homens, são sonhadores, ainda mais quando se trata de mulher, e eles fantasiam os absurdos que os fazem gozar mais intensamente em suas noites solitárias.

Elas são sempre sensuais, sexuais, exuberantes, marcam cada passo e cada movimento, como se estivessem sendo fotografadas, pausam no seu melhor ângulo, mãos, dedos, cabelos sempre bem posicionados, são como uma linda pintura.

Mas digo à todos vocês, mulheres lindas também peidam!
E para vocês homens compreendo, essa realidade é dura.

Mulheres lindas, perfeitas, cagam, e garanto que se for necessário passam mais de 30 minutos dentro do banheiro e após saírem, restará apenas aquele cheiro.

Quando você a ver passar jamais será capaz de imaginar que a linda mulher que o deixa excitado apenas em observar seus passos, acabou de soltar um gás tão letal quanto o seu após ter comido aquela feijoada, mas ela desfarça faz cara de garota propaganda Calvin Klein!

E agora acredito que o sonho de vocês, será um pouco modificado, se um dia tiverem a chance de se relacionar com elas, acreditem, elas não ficaram em casa, os esperando com a sua melhor roupa, estaram com máscara facial, bob no cabelo, unhas borradas acabadas de pintar.

Afinal, para estarem na rua alimentando os sonhos alheios é preciso se preparar!

Homens saibam:
Mulheres lindas são como sonhos, que se desfazem. Roupa, cabelo, maquiagem.
E o que existe de verdade, é uma mulher comum, com sonhos e anseios, com dramas e TPM. Mal humor e bafo ao acordar, dor de barriga e necessidade absurda de peidar!

Mulheres perfeitas são como gases, se espalham pelo ar e deixam aquela vontade...