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01:43

- - -Desbotando



Vai fingindo que está tudo certo, mesmo quando do céu, desbotam todas as cores. E não resta nada além do deserto assustadoramente cinza. Seus imaginários caem por terra, duendes e fadas criadas em um dia de sol, que virou chuva, que virou lama, que virou drama.

É da janela que assiste a todas as cenas, um cinema mudo, que lhe permite dar o tom incerto, também pudera, participar de tal trama, é um desejo inigualável, de ser telespectador inato. Para poucos, existe um registro, um traço, de um desenhista que figurava dores, e acertou em cheio na que sente aquele que se senta em frente a ausência das cores.

Tudo vira arte quando se arde, antes que o fogo queime-o por inteiro, e de tudo exista apenas o pó, que nada é mais, do que o vazio do consumido.

Existe um tempo, mesmo que esteja se esvaindo por entre dedos, de outras mãos que não as suas. Ainda perpetua, a crença imaculada de uma tragédia, real, vista como abstrata.

É permitido dissimular, acreditar no inacreditável, é permito sonhar e com isso fantasticamente torna real a possibilidade imutável de frustrar-se, mais uma vez das outras tantas, que guarda em sua gaveta trancada a dez chaves e um cadeado com o peso do mundo.

É no silêncio que se encontra as mais amplas respostas, das supostas dúvidas eloquentes que consomem o inconciente. Mas um som articulado e afinado ecoa, ao fundo de tudo...

...Esse silêncio é como uma linda dama, necessita ser conquistado, cuidado e amado. Não é fácil.

A noite chegará, o preto tomará o cinza. E mais uma vez, não se saberá, se haverão cores, para desbotar se assim tiver de ser, no remoto, próximo dia.



16:15

- - - Apressada prece de amor



Lançava-se no precipicio de amar, e amava com o fervor dos que têm fé e se ajoelham aos pés de Deus.

Ela, se ajoelhava diante do seu amor, e dedicava os seus melhores sorrisos, suas mais intensas lágrimas, e repetia diariamente, a prece, que pedia por si, para que o amor nunca fosse capaz de se matar.

Pois sabias, que um homem sempre é capaz de findar com aquilo que lhe é importante. Buscava nas suas palavras demonstrar quão entregue estava, apenas, amava. E em seus suspiros residia, o preenchimento do vazio que era seu corpo, sedento, com febre de paixão, amor e contentamento.

De joelhos, também entregava-se ao seu desejo, e seu corpo divino, clamava, pelas profanidades, esquecidas e não vividas para dar-lhe o ar necessario, d'uma simples humana, que se julga composta de carne. Desejava involuntariamente, em um espasmo físico beber o bendito líquido, de gosto indefinível, para reviver a plenitude, o encontro perfeito, sedução envolvente, de amor e paixão cega, entrega, prece susurrada aos ouvidos do amor, enquanto existe o encontro de seus corpos e almas, perdidas, no espaço de uma cama vazia, em uma noite nublada e fria.