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03:24

- - - Procura-se

Estou procurando um sorriso, menos forçado, mais livre, mais soltinho. !


Quando perguntei por ele, me disseram prontamente: Esse sorriso vem sempre acompanhado de um sutil batom clarinho.

Ainda procurando, quis saber quem é o dona desse tão famoso sorriso. Eu não sabia, mas é uma princesa de vinte poucos anos, ainda cheia de sonhos, por isso é repleta de sorrisos.

Estou procurando motivos, abismos floridos para sorrir como aquele sorriso, que cruzei em um dia nublado em uma avenida de São Paulo.

Com tantos desencontros, e sempre olhando a vida pelo lado oposto, tenho caçado o encontro com essa felicidade alerta, jovem e desperta. Talvez o combustível para sorrir tão leve seja as ilusões que ainda não caíram por terra, talvez...

...Essa morena do sorriso leve, deva saber de algo que eu não sei. Ou não saber de nada, de todas as coisas que eu já sei. Qual é o seu segredo, se é que esse existe, porém, um ao menos sempre têm.

Não sei se é uma procura, ou se é uma paixão, fascinado pelo sorriso, até me esqueci desse olhar nada sutil, olhos grandes, imensidão noturna, que nos devora, que nos engole, mas o meu abismo predileto, é esse rosa discreto, que me engoliria deliciosamente fácil.

Quando me deparar com ela novamente, vou dizer-lhe as coisas que pensei, direi as coisas que desejei. Prefiro correr o risco de falar minhas loucas verdades, do que jamais dizer à ela, o quanto ela é capaz de enlouquecer alguém, e desta vez este alguém sou eu, esse sujeito simpático, de poucas palavras, de poucos amigos, que usa terno todo dia,e se sente enlatado, dentro do seu carro, indo para o trabalho, e dentro do meu escritório com ar condicionado. E vive em solidão, por opção da vida, em um apartamento de muitos quartos e nenhuma pessoa, apenas retratos de anônimos sorrindo sozinhos ou não, transeuntes das ruas.

Fotógrafo em dias de reflexão, na busca pelo registro do momento perfeito, dos meus pensamentos, o que acontece ao redor, me faz elucidar. O momento perfeito chegou, mas não pude registrar foi ver seu lindo sorriso se abrindo ao ver uma folha caindo de uma árvore centenária, que perpetua vida, em uma cidade cinza de muitas mentes imaginárias. Seu sorriso. O seu sorriso nada tímido, nada discreto, e seu olhar perdido naquele momento tão seu, e tudo que eu queria era saber o que pensava, o que sentia, o que vivia, para sorrir assim, com algo que ninguém nunca se quer nota que acontece, segue o fluxo da rotina, da correria...

...Mas queria entender o que lhe alucina, em perceber que o outono chegou, que a folha caiu, que o mundo girou, que um segundo passou...
...Para muitos isso tudo, nada é. E para você, tudo isso deve ser muito, pois lhe fez dar o mais bonito sorriso que eu jamais sonhei em ver um dia.

O meu momento perfeito, não registrado. E como resultado, um homem apaixonado, por um sorriso que anda perdido pelas ruas de São Paulo.


03:52

- - - Do amor inevitável





Das coisas mais absurdas que já quis, minha pior loucura foi um dia ter desejado ter você.

Dos seus olhos tão incertos, eu busquei um único olhar,
um admirar calmo, mas que precisasse muito mais de mim,
do que eu preciso de você para alimentar minhas fantasias insanas de amor apaixonado.

E seu cheiro me é inevitável, sinto ao longe quando você chega perto,
e as milhas que nos separam se parecem com dois passos, que por preguiça não são dados.

E quando você me toca, disfarço, mas sei que suas digitais estarão em cada parte,
e saber disso me conforta, pois quando sinto saudades repito os caminhos feitos por suas mãos,
e de alguma forma, sinto tudo outra vez.

Você é a minha liberdade, a minha alma que está onde jamais estive.
Me sufoca não tê-lo, e me mata aos poucos esse desejo que jamais finda.
E todo novo dia, desperto, ainda alucinada, acreditando que por sorte um dia,
você não será mais o meu sonho e sim, a minha realidade.

03:58

- - -Corpo em palavras


Escorrem em mim, entre as dobras e linhas do meu corpo,
sentimentos transformandos em códigos, palavras decifráveis,
mesmo que eu não as entenda.
Cada palavra, tem vida própria, e pulsa como parte de mim,
e toma o branco da folha, da imagem do nada, transformamando...
...cada espaço vazio em um mundo repleto de elementos,
sentimentos.
Escorrem por entre meus dedos, borrando um pedaço do contexto,
as verdades que ninguém conta, as mentiras que todos dizem.
Eu faço apenas a minha parte, deixo-me transmitir o que tiver de ser,
pois quando deslizam pelo meu corpo, tomando, folha, mãos, coração,
não existe controle, eu perco o controle de tudo, e sou apenas um laço,
que liga o tangível com o imaginário, de todos que não conseguem dizer o que sentem,
e todos aqueles que também não sabem, sentir a vida, pulsando, disparada, acontecendo,
frente-a-frente, consigo, com aquele e com tudo isso.
Dentro das palavras, a vida se faz, nasce, acontece e morre.

19:21

- - -Um dia de completa loucura



Palpita coração, batendo desacelerado, pulsando forte, surtando, em tentar reanimar, o inanimado.

Falta paixão, tesão e coragem. A pele sente saudades de arrepiar-se, os olhos, arregalados, supresos, tentando esconder o medo.

O suspiro- inspiro, relaxo. Um lapso de um simples momento.
Eu e a paixão. Eu e o medo. Eu e o tesão.

No momento, só me olho no espelho, e não vejo nada, além de olhos com universos finitos, com pavor e sem brilho.

Eu quero fazer amor comigo, eu preciso, gozar a minha vida, meus sonhos indefinitos, acreditar que posso descobrir o infinito, espontâneo momento, definido, pelas linhas do meu corpo, abrigo, de vida, o oposto do que eu visto, roupas escuras, noturnas, por onde não escapa, fugaz, raio de luz.

Eu quero fazer amor comigo, contentar-me e espalmar minhas mãos, no meu lençol depois de um dia, de uma rotina boa, poder fechar os olhos, e o sorriso revelar, as minhas loucuras cometidas.

16:15

- - - Apressada prece de amor



Lançava-se no precipicio de amar, e amava com o fervor dos que têm fé e se ajoelham aos pés de Deus.

Ela, se ajoelhava diante do seu amor, e dedicava os seus melhores sorrisos, suas mais intensas lágrimas, e repetia diariamente, a prece, que pedia por si, para que o amor nunca fosse capaz de se matar.

Pois sabias, que um homem sempre é capaz de findar com aquilo que lhe é importante. Buscava nas suas palavras demonstrar quão entregue estava, apenas, amava. E em seus suspiros residia, o preenchimento do vazio que era seu corpo, sedento, com febre de paixão, amor e contentamento.

De joelhos, também entregava-se ao seu desejo, e seu corpo divino, clamava, pelas profanidades, esquecidas e não vividas para dar-lhe o ar necessario, d'uma simples humana, que se julga composta de carne. Desejava involuntariamente, em um espasmo físico beber o bendito líquido, de gosto indefinível, para reviver a plenitude, o encontro perfeito, sedução envolvente, de amor e paixão cega, entrega, prece susurrada aos ouvidos do amor, enquanto existe o encontro de seus corpos e almas, perdidas, no espaço de uma cama vazia, em uma noite nublada e fria.