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18:46

- - - Linha de produção (condução)

Todo dia ao acordar, vejo o lindo dia que se esconde por de trás de minha janela fechada para que a noite dure mais tempo, não gosto de acordar cedo, não gosto do desespero por se encontrar com a rotina maldita.


Todos os dias os apaixonados saem de suas casas para cumprir com suas missões esquisitas. A vida poderia ser mais do que passar horas do dia no trânsito, amassados em meios coletivos de transporte. Falta educação, falta sorte, para mudar a vida, para sair da rotina, sobra medo do desconhecido, e não nos resta nenhuma aventura para viver, além da aventura diária de trabalhar e viver, por uma ideologia que nos foi vendida a 1,99.

Estamos correndo contra o tempo, para bater o ponto na empresa, que não nos quer, mas que por enquanto precisa, as máquinas já estão ligadas, e as tecnologias inventadas, para que pouco a pouco sejamos substituídos e quando chegar a hora sermos demitidos, por um processador milhares de vezes mais rápido do que a nossa capacidade de executar 10 funções ao mesmo tempo, aflitos, com medo, subordinados de nós mesmos.

Está sobrando ausência, está faltando presença. Passamos desapercebidos pelo mundo, tratados e ignorados como cães com suas almas dilaceradas. Não temos a sorte de sermos milionários, ou de sermos tão desapegados a ponto de vivermos apenas de amor, perambulando e conhecendo o desconhecido mundo que se esconde além do itinerário do ônibus que nos leva de casa para o trabalho, e do trabalho para casa. Saímos as 6:00 da manhã, chegamos as 21:00 da noite cansados, exaustos. A máquina também precisa de repouso, afinal, com pouco tempo, ela vai ficando gasta, ultrapassada, e vamos nos esforçando cada vez mais para cumprir com a nossa rotina maldita.

Vai ser difícil suportar quando as engrenagens começarem a emperrar. Quando o cansaço for tanto que não for suportável, vamos nos acomodar ao fato de termos feito aquilo que nos era possível, que nos era preciso, sem mais uma função, vamos definhar e acabar encostados como máquinas velhas sem função alguma, relembrando os bons tempos...

...Morreremos lembrando o que fazíamos, e sonhando com o que não tínhamos tempo de sonhar, e talvez aí, no fim da rotina, não de um dia, mas de uma vida, saibamos que seguimos o caminho errado, trabalhamos na linha de produção errada, produzimos o mundo, o consumo desenfreado que nos consumiu sem pudor algum, nos usando como ferramentas para o seu progresso decadente de pessoas doentes, condicionadas a não saberem o que é viver, sentir e sorrir, de forma livre, entendo realmente em que consiste o verbo existir.

19:21

- - -Um dia de completa loucura



Palpita coração, batendo desacelerado, pulsando forte, surtando, em tentar reanimar, o inanimado.

Falta paixão, tesão e coragem. A pele sente saudades de arrepiar-se, os olhos, arregalados, supresos, tentando esconder o medo.

O suspiro- inspiro, relaxo. Um lapso de um simples momento.
Eu e a paixão. Eu e o medo. Eu e o tesão.

No momento, só me olho no espelho, e não vejo nada, além de olhos com universos finitos, com pavor e sem brilho.

Eu quero fazer amor comigo, eu preciso, gozar a minha vida, meus sonhos indefinitos, acreditar que posso descobrir o infinito, espontâneo momento, definido, pelas linhas do meu corpo, abrigo, de vida, o oposto do que eu visto, roupas escuras, noturnas, por onde não escapa, fugaz, raio de luz.

Eu quero fazer amor comigo, contentar-me e espalmar minhas mãos, no meu lençol depois de um dia, de uma rotina boa, poder fechar os olhos, e o sorriso revelar, as minhas loucuras cometidas.

16:15

- - - Apressada prece de amor



Lançava-se no precipicio de amar, e amava com o fervor dos que têm fé e se ajoelham aos pés de Deus.

Ela, se ajoelhava diante do seu amor, e dedicava os seus melhores sorrisos, suas mais intensas lágrimas, e repetia diariamente, a prece, que pedia por si, para que o amor nunca fosse capaz de se matar.

Pois sabias, que um homem sempre é capaz de findar com aquilo que lhe é importante. Buscava nas suas palavras demonstrar quão entregue estava, apenas, amava. E em seus suspiros residia, o preenchimento do vazio que era seu corpo, sedento, com febre de paixão, amor e contentamento.

De joelhos, também entregava-se ao seu desejo, e seu corpo divino, clamava, pelas profanidades, esquecidas e não vividas para dar-lhe o ar necessario, d'uma simples humana, que se julga composta de carne. Desejava involuntariamente, em um espasmo físico beber o bendito líquido, de gosto indefinível, para reviver a plenitude, o encontro perfeito, sedução envolvente, de amor e paixão cega, entrega, prece susurrada aos ouvidos do amor, enquanto existe o encontro de seus corpos e almas, perdidas, no espaço de uma cama vazia, em uma noite nublada e fria.