
Ao despertar do relógio que acorda meu coração adormecido,
amor e temor- amor e terror- amor e dor.Rimas tão antigas.
E o mesmo amar, que eu já conhecia,
aindas mais forte, meu suporte para a vida.
Tu não acreditas?
Serás o olhar que eu não vejo,
Serás o calor que não me aquece,
Serás meu maior medo,
e o desejo que desejarei tantas vezes em intento,
de ser-te somente eu, contento, para a tua vida.
Sorriso distante, caminhada errante.
Somente um acerto, amar-te por amar.
Somente, despertar, pois há morte, quando evito amar-te e me ponho em silêncio, deixando ao vento os sentimentos ternos de um amor materno, sem limite ou preceitos.
D y a n e P r i s c i l a
Outros Mundos
- Henrique Botarelli
- Mayuí Becker
- A arte de aprender e ensinar
- Novidades & Velharias
- Deglutição de Pensamentos
- Simplesmente Lampejo
- O lugar que importa
- Minha Penna
- HF diante do Espelho
- No rastro da Poesia
- Rô Daros
- Beijos de luz
- "A vida em um breve comentário"
- Pés nas nuvens
- Cubicularis
- Aviso aos navegantes
- Pensamentos Equivocados
- Nosso mundo imundo
- Martha Correa Online
- Bianca Feijó
Eternamente Admirados

A verdade, é que por todo este tempo, todas as frases, se restringiram a serem mentiras. Minhas maiores farsas, cobiçadas. Esperadas, para serem entendidas e criticadas.
Todo este tempo dentro de mim o anseio de quando eu me livraria da prisão que estava sendo a minha vida. Quem diria, eu me prendi dentro do imenso mundo que criei, desde pequena, quando pouco sobre tudo, eu sabia. A vida me era nada, e talvez assim fosse melhor, se continuasse sendo, e eu continuaria vivendo, rompendo as barreiras e as esquecendo, sem dores, mágoas e vagas lembranças do que eu vivia, apenas o presente me bastaria, e meus sonhos. Eles me alimentariam.
Eu jurei por você que contaria, as mais belas histórias de amor e de vida, e quando as pessoas me perguntassem sobre a minha vida, eu as diria: Que escrevia com a felicidade de cada dia!
Lembro-me como se fosse hoje pela manhã, eu olhando para você e lhe prometendo o que hoje vejo que jamais cumpri, ou sequer cumprirei, a vida está sendo carrasca comigo, tenho dores, desamores e as histórias que conto, aos olhos do mundo, parecem bonitas, dramáticas, intensas, lições de vida, de alguém que jamais aceitou as pedras que existem em seu próprio caminho, e as rasteiras que a vida lhe deu.
Narro histórias, de problemas que não são meus, e talvez isso, eu faça para lembrar-me de que não sou a única esquecida por Deus.
Agradecia o meu dom de escrever, e hoje acredito que ele seja pura sina. É o meu castigo.
Sou uma mentirosa, escritora, mal filha e suícida.
Uma hipocrita bem sucedida, que sonhou desde pequena, ser como os grandes e eternos escritores, como Cecícilia. Como Clarice, e Berenice, não a conhece? É a faxineira da minha casa que em vida escreveu uma história bem mais bonita que a minha, repleta de verdades, aprendizados, e força para lidar com a batalha dura do cotidiano simples.
Desde pequena desejei ser feita sobre palavras e escrita, e hoje escrevo minha despedida, sem palavras rebuscadas, esquecendo a vaidade e transbordando verdades que eu mesma escondia.
Há razão em todo o meu sofrimento calado, meu pranto guardado, e os livros queimados, todos os que eu escrevi, estão guardados em cinzas , confesso. Eu não suportava ler as minhas mentiras, fantasiava feito uma criança, e quando abria os olhos via dilacerado o meu mundo, e eu vivia em um espaço sublime e absoluto, em preto-branco, vírgulas, pontos e linhas. Essa era a minha única vida. Criar farsas e chamá-las de minhas, meus sonhos, meus medos, que assim que terminava um página redigida, findavam.
Mas minha dor jamais deixará de ser minha, esta sim, compartilharei com a solidão a qual me condenei.
A dor de não ter desejado ter outra vida, a minha diversão se tornou profissão, me condenaram como uma máquina que jamais pára, não olhava para o mundo, e ele nem me via. Fiz dinheiro, fiz histórias, fiz planos. Mas não tive vida.
Hoje me despeço, é o fim.
Vida e Obra,
resumindo-se ao desejo de tomar essa taça de veneno, e acabar com tantas publicações em mentiras.
Eu queria ter cumprido minha maior promessa, minha grande divida.
Não encontrei a felicidade, tampouco o amor e nem paixões repentinas, e por isso...
...hoje sou apenas, uma desertora da vida.
Marcadores: amor, filho. desejos, impossibilidades, mãe, obra, tristeza, vida
Pato Fu - Canção pra Você Viver Mais
No sofá da sala resolvi escrever...
"Oi,
hoje completam dez anos, que eu parti, me lembrei de seu sorriso molhado pelas lágrimas que rolavam nas últimas palavras que lhe dediquei olhos-nos-olhos.
Lembrei-me hoje, como se agora à pouco tivesse sido.E eu tivesse ido até você me despedir.
Foram tantos os anos que se passaram, e as recordações do que vivemos, não se apagaram, mas confesso, elas mofaram junto com as poucas coisas que carreguei comigo. Mas cada uma delas, ainda tenho aqui. Poderia lhe dizer sobre a Clara, minha boneca, que hoje já não tem mais aqueles olhos azuis que eu tanto amava, mas ainda possuí a mesma roupa romântica que eu tanto arrumava. E eu tenho também, o livro de contos infantis que deu à mim, quando completei 4 anos, e você o lia dia-a-dia assim que o sol nos acordava, dizia que o meu dia ficaria melhor com mais encanto e imaginação, contava-me histórias ao acordar, para que eu pudesse durante todo o dia criar a minha própria história e a noite sonhar com ela, para que no outro dia pudesse continuar...
...Eu ainda me lembro do timbre de sua voz, e não me esqueci do gosto de seu arroz-docê, que você sempre fez questão de manter algum segredo.
Esses dez anos, me fizeram tão bem, mas ao mesmo tempo eu não me entendo. Sinto falta do pátio da escola, de ver você no portão me esperando, me olhando com um sorriso manso, roupas sempre claras, fala macia e pausada. O seu cheiro por mais que eu tente me lembrar, ele me falha...
... inodoro, sei que não era, e recordo-me que você sempre usara um perfume de flores, levemente amadeirado, adocicado. Eu queria poder sentir este mesmo cheiro agora.
Dez anos, de saudade e acomodação. Eu jamais me abalei por minhas dores, me transformei naquilo que sonhei, eu virei uma contadora de histórias, as invento e as espalho pelo mundo, eu faço chorar, faço rir e refletir.Quebrei as barreiras dos meus sonhos, as história que me contou todos os dias ao acordar me fizeram ser o que sou, sim. Eu sou uma contadora de histórias.
Mas neste tempo, não me lembro, se a coloquei na lista daqueles que poderiam receber os exemplares de meus títulos, e compartilharem comigo a vitória.
Eu conto histórias, mas não tenho memória, talvez por isso eu as escreva. E talvez por isso também, eu não tenha me lembrado de outras coisas que vivi contigo, pois não me lembrei de abrir meu relicário, lá está repleto de você, de teu amor e devoção, e sobretudo o livrinho de contos infantis que me inspira até nesta hora, em que crio coragem para lhe escrever, a história que acumulei por dez anos, guardei em minha falha memória.
Minha arrogância, não me deixa com que eu peça perdão. Mas peço desculpas.
Desculpe-me por ter a retirado de minha vida, desculpe ter lhe causado tamanha ferida, com a minha ingratidão...
...Talvez eu amenize minha culpa se eu disser que mesmo ausente, você é quem construiu quem eu sou, a base tem seu jeito.(Mas talvez dizer isto só aumente mais o meu erro)...
...Hoje eu senti medo, de não poder lhe dizer tudo que gostaria à tempo. Se é que ainda posso falar sobre tempo, já que por algum, você ficou apagada de minha existência, logo você, que me fez existir. Lamento, sempre imaginei que fosse ser melhor para você, mas errei.
...Eu não sou mais a sua menina, que gostava de fazer bolas-de-sabão, no quintal junto a laranjeira. Tampouco sou aquela que cantava para os pássaros, como se mais uma deles fosse.
Hoje está doendo saber que você não me conhece mais, e não sabe quem eu sou, e por culpa minha.
Fiquei por algum tempo imaginando como estara a nossa cidade, aliás a sua, pois depois de algum tempo apenas a retratei para ilustrar ainda mais as minhas histórias, mas ela parecia apenas fruto de minha imaginação, pretensão. Uma cidade tão linda com ar calmo de "seja-bem-vindo".
Eu criei tantas histórias, vilãs, donzelas, questionadoras, revolucionárias... Damas e senhores enloquecidos, tantos mistérios e até amores.
Mas hoje, eu concluí que tudo que eu criei foi por uma frustração de não ter vivido algo maior e mais completo. Criei tudo que não fui, e gostaria de ser.
...
-------Hoje estou tentando me redimir com Deus, me redimir com você, e se quer saber, minha melhor história foi de uma mãe, que caçava a sua filha pelo mundo, até a encontrar perdida em uma cidadezinha do Japão, vendendo legumes na rua, quase doida de tristeza, mas já necrosada por tanta arrogância de voltar para casa e pedir um abraço, um afago, um prato de sopa quente, e o direito de chorar em paz.
Esta foi sem dúvida a mais triste e mais comovente, e foi também a que me levou menos tempo para escrever, pois estava dentro de mim desde o primeiro ano em que a deixei, para construir minha vida como você me disse desde criança...
...Eu apenas não a queria fazê-la longe de você, mas decidi que deveria seguir, e não olhar para trás, como você me disse um dia, "Siga sua vida sempre, e não olhe para trás". Eu fui...
Trago comigo, esta mais bela história, dolorida, e o grande desejo dela ter sido verídica, e que minha arrogância fosse vencida pelo seu desejo de me ter, como quando em seu ventre, ou até quando junto ao teu seio lhe pedindo alimento. Por estes anos que se arrastaram, eu esperei por sua chegada, que você estivesse me procurando assim como fazia quando em casa eu me escondia de você, por ter feito algo errado. Ou por simplesmente ter necessidade de sentir-me encontrada por quem mais amava.
Fazem dez anos que parti,
mas você está em mim. E eu precisava lhe dizer, que ainda amo você.
Me lembro de nossa casa, simples, bonita e arrumada e como me doeu quando ela foi se afastando de minha visão enquanto o carro ia tomando seu caminho, me levando de encontro com o mundo onde você não estava, dez anos se passaram, mas esta lembrança não se apagara.
Estou escrevendo mais uma vez, para me aproximar de tudo que não fui, do que não tive. E por estes anos não tive mais seu colo, sei que já sou grande, ou talvez penso ser, meus 32anos já mostrar marcas de você, um olhar meigo e um sorriso manso e umas linhas em lugares que só você tinha.O que escrevo hoje é somente para você, quero fazer-lhe sentir e sentir-me. E em meu egoísmo sentir muito mais de você.
Mãe, eu preciso de você!"
22:55
Inglaterra- Londres
levanto-me,
abro a porta.
-----------------------------------------------------------------
Perdão,
eu precisava lhe pedir.
(só me faltava coragem)
Eu amo muito você.
mesmo que você,
não conhecesse mais à mim.

Sexta-feira, já passadas as 22:00(pm), perambulando pela Avenida Teodoro Sampaio. Monalisa, com seu andar pouco espaçado, seu olhar resignado de um dia de muitos problemas. Tantas dores de cabeça, caminhava, calmamente, como quem tinha a noite inteira pela frente e com esta mesma paciência, procurava por algo, que encontraria por este caminho. Monalisa, sentia-se, cansada, mas com uma imensa vontade de se ter de volta, como se um pouco dela tivesse ficado por entre a correria de seu dia.
Monalisa vestia, um grande casaco, com ar europeu, preto, quente, e por de baixo,um vestido vermelho, de seda. Nesta noite fazia um frio agradável, mas ela preferia manter-se muito bem aquecida, pois o frio maior, era interno, a falta de si, a falta de algo. Transformava-a em alvo, para os ventos que faziam. E a transpassavam, tamanho era, o vazio.
Sem um rumo, sem um ponto de chegada, um objetivo. Monalisa continuou a caminhar, com a mesma calma, mas agora com algumas lágrimas no olhar, pois uma sensação imensa de solidão a tomou. Via tantas pessoas, amantes, amigos, se perdia nos sorrisos, os tantos que encontrou, por seu caminho, e bateu-lhe uma sensação que nunca havia sentido, como se não fizesse parte deste mundo, e não houvesse uma alma se quer que tanto a quisesse, como as pessoas sorridentes "se queriam". Monalisa, sentia-se triste, mas continuava a atrair olhares, não para as suas lágrimas, nem para sua feição entristecida. O seu jeito de mulher que sabe o que quer, fazia as pessoas a repararem, e a sua beleza, sobre esta, pouco se comentava, pois calava através de tamanha sensualidade e suavidade. Monalisa, apenas queria esquecer quem era, e as tantas pessoas que a viram, sem ela sentir que era observada. Queriam exatamente o oposto, jamais esquecê-la, pelo quão ela os encantou.
Monalisa...
...Sentou-se em um banco de ponto de ônibus, que pelo adiantado da hora já estava vazio, e olhando os carros passarem em alta velocidade pela avenida, via, apenas suas luzes. E estas a iluminavam e para aqueles que rápido passavam, ela não ficava desapercebida, iluminada por eles, era notada, ela apenas não sabia.
Sentada neste banco, sentiu o frio em seu rosto, olhou para o céu, noite de céu limpo, estrelado. Noite de outono, sem chuva. Questionou, a angustia que sentia, a dor que a tomava, e porque não à entendia, o seu dia, fora incomum, e nesta noite carregava consigo uma dor imensa, de uma perda que não era sua, um filho e uma mãe, que partiram. Monalisa era médica, lidava com a vida. A vida dos outros, a sua estava esquecida, mas nesta sexta-feira, perdera em um parto, a Mãe de um filho, que não chegou a nascer, os dois partiram... E ela tivera que dar a notícia para o pai, que sofrendo a abraçou ao receber a notícia, e à agradeceu pois acreditava que ela, tinha feito o possível para que tudo ocorresse bem. E aconteceu nada mais do que a vontade de Deus. E fora exatamente isto, ser a porta-voz dessa notícia, a primeira vez, em que perdia, para o que não conhecia, perdia a chance de salvar estas vidas e percebeu que não salvava vidas, pois se assim fosse,teria feito o que tantas vezes, fez, e percebeu que nada estava sob seu controle.Ela apenas era uma médica, instrumento para a vida, ou para chegada da morte e percebeu não ter se preparado para ser tudo isso, e não sabia onde encontraria forças, para ser o que realmente tinha que ser.
Por alguns bons minutos Monalisa ficou sentada, e este tudo passando pela sua cabeça, mas entre os questionamentos que fazia sobre si, sobre a vida, sobre o Deus que desconhecia, e tinha levado para a morte, uma mãe e um filho. A todo instante lhe tomava o pensamento o homem, que tão consciente a agradeceu, mesmo quando ela havia permitido que sua esposa e seu filho morressem. Sua maior vontade era de ser tão serena quanto àquele homem e entender de onde surgia, tal serenidade.
Ela voltou a caminhar, ainda pensando, no homem, em sua serenidade, em seu olhar de solidão, mas contudo fortaleza, mesmo em um momento de tanta dor. Monalisa, respirava com dificuldade faltava-lhe o ar, sentia-se culpada, impotente, pequena. Diferentemente do era, antes deste dia, mas depois desta noite, com certeza tudo novamente mudaria. E seus passos ficaram, rápidos, tensos, espaçados, sua boca ressecada, pelo vento, frio e seco.Seus olhos, cobertos por lágrimas, seu cabelo, ao mesmo vento, balançava. Ela tinha pressa, de cessar essa dor, essa sofreguidão, estas dúvidas...
...E ao atravessar de uma calçada para a outra, fora da faixa de pedestres, correndo de carros, trombou na calçada que chegara. Trombou, com força que a colocou a ir ao chão. Abriu os olhos e estava estendida, sobre ela um homem que embaçado via, e que lhe perguntou...
"Doutora, você está bem?"...
Monalisa recuperou a visão, devagar, fora reconhecendo, ela estava de frente com o homem que tanto lhe roubava o pensamento, o homem que a fez questionar o que jamais havia questionado, o homem que esperava que seu filho chegasse ao mundo, e que em pouco tempo tornou-se viúvo, tornou-se, um quase pai, tendo seu filho falecido, assim que nascido. Era ele mesmo, que à levantou do chão, Monalisa, ainda tinha os olhos avermelhados de alguém que chorara, o olhar resignado, e ao vê-lo apenas pôde pensar"A vida é cheia de coincidências, acasos". Achou algo, muito impressionante, encontrar justo o homem, cuja a história tanto lhe desconcertou.
Monalisa recuperou-se do tombo, levantou-se com a ajuda do homem, mas não o olhava nos olhos, ele preocupado, pois viu que no joelho dela havia um machucado que sangrava, lhe ofereceu cuidados, mas ela prontamente respondeu saber que aquilo não daria em nada, ela era Médica e um corte, não precisava de tanta preocupação, apenas alguns cuidados e tudo estaria bem. Ele perguntou à ela, se ela se recordava dele, e sem jeito, com o olhar cabisbaixo, respondeu que sim e disse, você é o pai, que hoje de manhã, tive a infelicidade de perder sua esposa e seu filho. Qual é o seu nome mesmo, ela perguntou. Ele respondeu, Leonardo. Monalisa dizia sentir muito pela perda que ele havia tido, e que sentia como nunca. Houve um silêncio que os acariciou neste encontro. Ele disse, que desejava que ela estivesse bem, pois sentiu nela, uma tristeza infinita, que não deixava que os seus olhos brilhassem. E disse mais, Leonardo, disse a Monalisa, que se sentia agraciado por Deus, mesmo com a partida de sua esposa, e de seu filho, ele sabia que tinha que ser assim, que pelos dois havia muito amor, saudade e tristeza, por não poder viver junto deles, mas sobretudo, explicou à Monalisa que sentia, que os dois, estavam bem, e que agora, era a hora dele, começar a a reagir a vida, a vida que Deus escolheu à ele. Monalisa, silenciava, pois em momento algum entendia de onde partia tamanha serenidade, ou seria tamanha indiferença. E sem saber o que passava pela cabeça dela, Leonardo dizia, que tinha o maior amor do mundo, por sua esposa, era casado à 16anos. E que esse filho, era muito desejado, mas que sobretudo, ele amava a Deus e confiava, nos caminhos que ele traçava, e essa confiança, é que trazia à ele a paz necessária, para seguir, sentindo sua esposa e seu filho, como anjos, que Deus, encaminhou para estar ao seu lado.
Doutora Monalisa, era como ele a chamava, à convidou para tomar um café e conversar, disse que se sentiria bem se pudesse, cuidar de seu machucado. Ela perguntou à ele, se morava perto dali, ele disse que sim, Rua Purpurina, próximo a Teodoro, onde eles estavam. Ela, sentiu-se bem ao falar com ele, mas ainda não havia o olhado nos olhos, e depois deste convite, ficou ainda mais sem graça, não queria ir à sua casa, estava abalada, recusou dizendo, "Obrigada Leonardo, mas acho melhor ir para onde estava indo", ele a questionou, se realmente havia um destino, e ela se lembrou que não havia, nem um lugar e nem alguém à espera dela. A busca era por findar a angustia. E por se lembrar disso resolveu aceitar, ele apenas fez-lhe uma pergunta. "Doutora, por que não me olha nos olhos?"... E ela respondeu em silêncio, deixando escorrer lágrimas...
...Que não queria demonstrar sua fraqueza, não queria deixar com que ele se perdesse na dor que ela estava carregando, na culpa que ela sentia, e contou à ele, dizia estar em um poço escuro e sem razões, não queria que ele se perdesse junto com ela, disse que estava desolada, relatou que nunca havia perdido uma paciente, nunca havia perdido um filho, e que por suas mãos, apenas havia trazido a vida, e esta morte que chegou através dela, havia à deixado completamente longe de si, sem saber, o que de fato fazia naquele hospital, o que fazia com a sua própria vida, se não havia um controle, se não sabia, o que seria o amanhã...
Leonardo apenas a olhou, pegou em seu braço e foi a encaminhando em silêncio em direção de sua casa. Lágrimas rolavam dos olhos de Monalisa, era um choro que por toda à noite ela segurara, um choro de criança que se sente perdida,com medo do escuro, do desconhecido, e era exatamente isso. Monalisa, havia conhecido a morte e a sua impotência diante dela.
Chegaram à casa de Leonardo, uma casa cor de rosa, portão de madeira, um sobrado. Com ares clássicos, jardim, chafariz, janelas robustas e um ar bucólico, ímpar no meio da cidade de São Paulo, foram entrando. Leonardo acendeu a luz, e Monalisa, entrou, tirou o casaco, o vestido vermelho ascendeu-se junto com as luzes da sala de estar.
Monalisa, viu na parede da escadaria, uma grande quadro, onde havia sido pintada, Fátima, esposa de Leonardo, e se lembrou de seus olhos brilhando quando mesmo em últimos suspiros pôde dar um beijo em seu filho que estava nas mãos de Monalisa, e baixinho disse. "Irás comigo, meu anjinho", fechando os olhos e dormindo o sono eterno e logo após, seu filho, calou o choro angustiado, partindo junto dela.Monalisa, se desesperou chorando, Leonardo à abraçou...
...Dizendo à Monalisa, chore, pois você precisa, mas lembre-se de que estou aqui, e ainda em soluços, Monalisa lhe disse, eu deveria acalentar seu coração, trazer-lhe palavras, foi você quem perdeu...
...Leonardo, à fitou fortemente e lhe disse, não ter perdido absolutamente nada, sua mulher e seu filho contigo estariam sempre, estava rico em amor e a dor que sentia, era passageira, pois sabia, que tudo aconteceu como tinha que ser, saudade teria, dos cheiros, e dos sorridos que Fátima, rigorosamente não lhe negava, mas disse também ter tido muito tempo e não tê-lo desperdiçado, e em cada momento junto dela, a beijou, a cheirou, a olhou, como quem à olhava pela última vez, com vontade de grava-la junto de si, e assim o fez, pelos 16anos de casamento, gravou um pouco de Fátima em seu corpo, em sua alma, como uma tatuagem que ninguém arrancaria, nem mesmo o tempo, nem mesmo a morte.
Monalisa suspirou...
...Chore Doutora, dizia Leonardo.
"Pois você conhece a ciência,e acaba de se deparar com o amor, com a vida que não se explica, com a vida que finda aos olhos, mas se eterniza ao coração. Chore doutora, pois as máquinas, podem manter vivos àqueles que ainda precisam viver, mas não fazem milagres, nem as máquinas e nem seus estudos, sua ciência auxilia Deus, é parte dele, não tens culpa dos que morrem, mesmo que estejam em suas mãos, ainda que não veja, eles estão na mão de Deus, e ele é quem decide, quem vive ou não, és apenas intermediária deste caminho, cuida dos que vivem, dos que nascem, mas esta sempre diante da morte, que todos passaram, cada um em sua hora, sinto por tão breve ter sido a partida dos que amo, mas tudo tem um porquê, tudo sempre, tem um porquê, acredite."
Monalisa, o olhou...
...Dizia à Leonardo, não saber o que era, achava poder cuidar e não admitia a idéia de perder um filho, uma mãe, até que perdera, e viu, que a vida é muito mais do que nascer, vida também é morrer, mas não entendia...
...E tão sabida, cheia de explicações científicas, após o que passou, ela apenas buscava se encontrar, encontrar àquele que tudo via, tudo sabe, aquele que a criou, ela buscava o que desconhecia, pela dor que sentia e a sua impotência, diante da vida, e suas surpresas.
Leonardo, ofereceu a Monalisa, suco de goiaba, ele se ausentou ao ir buscar na cozinha, trouxe à ela, que o tomou. Perguntou, se ela não gostaria de conhecer a casa, e ele disse que gostaria muito que ela fosse.
Eles foram, caminharam pelos cômodos da parte inferior, todos limpos e organizados, subiram as escadas, flores no corredor, um silêncio entorpecedor. Ele mostrou à ela, os quartos, todos clássicos, eram 4, por último mostrou o que seria de seu filho, já vazio, e o quarto que era dele e de sua esposa, um quarto espaçoso cheio de retratos, ela submergiu em meio de tanta felicidade que lá havia. As fotos registraram cada momento de felicidade, de amor, de vida,ele disse "Fomos tão felizes, que acho que seria egoísta, injusto se me permitisse, apenas lamentos, olho para trás, e tudo que vejo é perfeito". Monalisa, deu-lhe um sorriso tímido,e seus olhos, ainda vermelhos, iluminaram-se. Leonardo, à levou até a biblioteca, uma sala encantadora, ainda mais serena, ainda mais calma, reduto de conhecimento, tantos eram os títulos que ele tinha lá...
...Monalisa, o questionou, perguntou à Leonardo,se havia lido todos os livros que lá haviam, ele a respondeu com um balançar de cabeça, dizendo que sim, ela ficou encantada.
Leonardo, passou a folhear um livro, sentado em sua poltrona, Monalisa em pé passava a mão na estante e andava de um lado para o outro em silêncio...
Leonardo direcionou a ela, um suspiro. E lhe disse "aqui tenho conhecimento, mas sobretudo sentimento, Monalisa, aprendi a sentir a vida, que pulsa, em mim, em você. Eu descobri que meu corpo, é uma máquina linda, que suporta, algo ainda maior, minh' alma, e que devo cuidar dos dois, mas minha alma precisa se alimentar, alimento-me do que aprendo, do que sinto, do que transmito, busquei conhecer os homens, suas ciências, mas o que cada um é capaz de sentir é o que me seduz, sua dor me tocou, eu pude vê-la, ao momento em que deu-me a notícia."
...Monalisa, o olhou. E perguntou à ele, se além de dor, algo mais ele sentia nela.
Leonardo, calmamente, pegou uma folha em branco, dobrou diversas vezes, e foi dizendo à Monalisa, que ela era tão complexa quanto todas aquelas dobras que não apontam para forma alguma, mas que ao final delas, marcas foram deixadas, dentro da linda pureza que nela existia, um misto de pureza e vazio, e marcas criadas, pelo o que ela buscava fazer, e por tudo que ela se colocava a não sentir. E finalizou, completando com uma frase "A vida não é cientificamente explicável, há o que se explica, mas em maioria, apenas há o que podemos sentir."
Monalisa calada, sentou-se próxima à poltrona de Leonardo, tocou em suas mãos, como quem buscava aquilo que não tinha, e no momento era sentimento.
Leonardo à olhou, passou a mão em seus cabelos, e disse que o vazio de vida que havia nela, era incomparável com a dor da perda, pois ele havia vivido, amor, felicidade e viveria ainda mais acalentando pelo amor de Deus, aquele que ele tinha como fortaleza e que o fazia jamais sentir-se só...
Monalisa, chorou...
pensando exatamente, no que não tinha, e o que ela não tinha, era um sentimento maior sobre a vida, menos cético, algo que a fizesse sentir, viva, amada, e acabara de ouvir isto de um homem que perdera, tudo que mais amava na vida e ainda assim, sentia-se amado, ele tinha o que ela não tinha, Deus.
Leonardo, colocou-se diante de Monalisa, olhou-a e viu, seus olhos aflitos, cheios de lágrimas, tristes, vazios.
Ao redor deles, livros e ali tudo que ele havia descoberto sobre a vida, ambos dentro do lugar onde ele passava horas refletido, buscado o algo mais que hoje, o fazia sentir-se em paz, consigo, com Deus, com o mundo, mesmo que sozinho.
Frente-a-Frente com Monalisa, Leonardo, secou as lágrimas que escorriam de seus olhos, quase pretos. Lágrimas que se davam por sentir-se vazia, de tudo, sentir suas certezas desaparecendo por entre a vida e seus segredos, seus sentimentos.
Dedos molhados por lágrimas. Leonardo, os passou nos lábios de Monalisa, e disse em seu ouvido "Este é o gosto do teu sentimento que hoje é dor, tristeza, quero compartilha-lo contigo..."
Leonardo beijou a boca de Monalisa, da forma mais pura que poderia haver, e mais lágrimas correram, Monalisa, sentia algo que jamais havia sentido. Sentia-se protegida, como nunca, nem em seus tempos de criança, houvera uma noite de tanto medo,e tampouco uma proteção para tudo que a aterrorizava.
Com os olhos fechados, Leonardo e Monalisa, se elevaram à entrega, bocas unidas, sentiam os gostos,uma mistura de dor, tristeza, amor e saudade.
Mãos espalmadas, percorriam os corpos, ele desvendou o seu vestido vermelho, e a despiu calmamente, deixando que a seda deslizasse nas curvas do corpo dela. Monalisa, sentia não mais o frio de outrora, agora sentia-se aquecida, pelo sentimento, que fluía por entre ela e Leonardo. Ela, com suas mãos finas, abria os botões da camisa preta de Leonardo, sentindo no silêncio a sensação de plenitude que ele transmitia. Corpos nús, ela o sentia, uma fortaleza descabida, e ele a tinha como uma menina, que naquele momento se tornava uma mulher, sentia a solidão diminuir, entre medos, tristeza e saudade, fizeram-se apenas necessidade. Ela precisava dele, de sua serenidade, de seu sentimento e de sua paz.
...Ele precisava ser dela.
E dentro da biblioteca, se entregaram à vida, que com suas curvas sinuosas, precisava, fazer de Monalisa, um ser mais intenso, e de Leonardo, um homem ainda mais abençoado, dando lhe a oportunidade, de ser o amor que tivera, o amor que aprendera a ser...
...Leonardo e Monalisa se amaram, junto dos livros, e de todos os sentimentos, amaram-se como dois amantes quietos, dois amantes que se tomam com a calma de quem tem toda uma vida pela frente, e juntos, desfrutaram da mais forte sensação física, calaram-se em suspiros, pausaram pensamentos.
Monalisa, sentiu seu corpo inebriado, por um sentimento complexo, o qual não definiu, e pensou "Encontrei o que procurava, o fim de minha dor está onde ela começara...", respirou ofegante.
Leonardo, com o corpo, trêmulo e cansado, olhou para Monalisa, viu seu semblante, mais calmo, sereno, sentiu-se bem. E disse à ela, "descobri que ainda estou vivo além de meus sentimentos. Meu corpo, pulsa a vida que eu dizia conhecer e eu dei ela à você..."
...Lágrimas escorreram pelos olhos de Leonardo.
Monalisa o olhou, perguntou à ele o porque chorava.
Leonardo deu a mão a Monalisa e lhe disse, que buscava a vida além dele, pois todas as que tinha, haviam findado, e não saberia viver um único dia, sem sentir-se vivo, da forma que sempre se sentiu.O amor que recebia, alimentava a vontade dele de ser.
Monalisa e Leonardo, naquela noite se completaram...
...Ele deu à ela a vida desconhecida, de amores e razões, através de sua alma, e de seu corpo, que ela tomou para ressuscitar do esquecimento, ela fez o seu coração voltar a bater, salvando mais uma vida, que em tempo, logo se perderia...
Deus sabe o que faz, disse Leonardo à Monalisa.
...Após uma noite de frio, e tantas surpresas, Monalisa, despertou em um novo dia com um belo sol e ventos. Levantou-se, ambos dormiram deitados no chão por entre livros. Pegou uma flor de seu corredor, e na folha que ele havia dobrado, escrevera em preto.
"A folha agora é limpa e sem marcas, possuí apenas uma, que divide a pureza que sou. Entre vida e amor."
Deixou o bilhete sobre a bíblia de Leonardo.
Monalisa, vestiu-se com seu vestido vermelho, deixou seu casaco preto, e tomou o rumo de sua casa, caminhou pela Teodoro Sampaio ás 11:00hrs, sentindo o vento bater em seu corpo, com um sorriso calmo nos lábios e certa de onde iria, agora caminhava de encontro à vida.
Monalisa, passou a confiar em seu descontrole sobre a vida, jamais voltou a questioná-la, apenas caminha por ela, como caminhava naquela noite, já passadas as 22:00hrs...
...Mas nunca mais precisou encontrar-se com outro Leonardo.
Monalisa, jamais o esquecera, ele à apresentou ao que é o amor.
Marcadores: amor, camisa preta, Fátima, filho, Leonardo, mãe, médica, Monalisa, teodoro sampaio, vestido vermelho