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03:00

- - - La femme





Atrevida a setenciar seus dias, calada e aflita. Persegue a felicidade como uma divindade sumida.

Um não pertencer que lhe afugenta a alma, como não estar plena, serena e calma.

Vai percorrendo os dias, e eles à ela são intensos em suas horas intermináveis.

Quantos serão os sonhos em despedida?

E os que chegarão ainda alucinarão seu coração com batidas cadenciadas a calmaria.

Já não se sabe, de quantas faces se faz essa personalidade esquisita.

Mas já não teme a si, e aceita as dores que lhe cabe. Duvidável são as palavras, ainda divididas, entre o querer e o não saber o que quer. Está tentando dizer ao mundo quem é.

O que lhe importa o que pensarão sobre tudo que aprendeu sobre as dores, e as angústias intermináveis. Já não lhe darão razão e será como se estivesse morta.

Ela não morerrá, mesmo que seu corpo finde as mazelas humanas, e se entregue a uma enfermidade qualquer, há tantos males, mas nenhum irá abalar tudo que construiu sem perceber, um castelo de verdades, com marcas imensuráveis, de tentativas, frustrações e conquistas. Existe um coração e isso basta. Existe a razão e ela lhe questiona o bastante, para saber, onde ir e quando parar.

A vida lhe parece uma sentença de morte, florida. Um corredor de paredes densas, e altura que não se sabe onde chega. É um caminho fechado com uma única saída, mas não há controle o bastante para decidir a hora que tudo irá terminar.

Sem demorar e nem se apressar, ela digere cada ato indigesto, singularidades antagônicas, que confessa, que só se aprende com o tempo. Ela aceita os abusos da vida, ela permite o estupro de sua alma, sente prazer na dor e em sua melancolia. O prazer maldoso, que lhe atribui sabedoria. Ela é uma fêmea de pureza inata, e de força surrealista. Uma obra moderna, que Deus deu vida.

12:26

- - -[Eu] Em poesia


Tens os olhos mais vivos que eu já vi,
superfície mestiça, traçada a lápis. Ou giz.
Sorriso fácil, que mostra-lhe os caninos.
Menina-mulher.
E sua face de boneca, transcende definições claras,
ultrapassa a linha do definível, tornando-se mistério,
pouco ou nada decifrável.
Ela caminha como quem pisa em flores,
mas as destrói em pedaços.
Perde-se o seu olhar, perde-se o desejo.
Mãos, as garras pintadas de vermelho
A vida, em eterna caça.
Repousa seu olhar sobre os que não temem,
e os faz, querer-te. E os faz dizer-te,
todas as palavras que não seriam ditas,
os sorrisos que não seriam dados,
e os desejos que não seriam desejados.
Psicodélica personalidade, em face, de cores,
amores, sabores, hedonismo inimaginável.
O seu prazer, sua carne e a sua alma intrínsecos
inseparáveis.
Em existir, serias tu minha vocação, somente tu,
sem falsas e fáceis ilusões baixas.



Beirut - Elephant Gun

17:24

Fragmentos perdidos

"Sem perceber você deixou de ser, e não bastando, deixou de viver"

Seus pensamentos,
...
São consumidos pelo tempo.
E os sonhos.
Em que lugar se escondem os sonhos?
Em algum paraíso perdido,
guardado por Deus.
Escondidos para o seu castigo.
...

Sei que tens medo,
de dizer Adeus à todos os seus segredos.
Eles são seu refúgio e abismo.
Neles você,
acredita estar vivendo o que gostaria de viver.
Mas já não vive,
por que não sonha.

E há partes de você,
espalhadas.
...
Desencantadas,
pela sala.


"Sem perceber você deixou de ser, e não bastando, deixou de viver"