Mostrando postagens com marcador força. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador força. Mostrar todas as postagens
03:00

- - - La femme





Atrevida a setenciar seus dias, calada e aflita. Persegue a felicidade como uma divindade sumida.

Um não pertencer que lhe afugenta a alma, como não estar plena, serena e calma.

Vai percorrendo os dias, e eles à ela são intensos em suas horas intermináveis.

Quantos serão os sonhos em despedida?

E os que chegarão ainda alucinarão seu coração com batidas cadenciadas a calmaria.

Já não se sabe, de quantas faces se faz essa personalidade esquisita.

Mas já não teme a si, e aceita as dores que lhe cabe. Duvidável são as palavras, ainda divididas, entre o querer e o não saber o que quer. Está tentando dizer ao mundo quem é.

O que lhe importa o que pensarão sobre tudo que aprendeu sobre as dores, e as angústias intermináveis. Já não lhe darão razão e será como se estivesse morta.

Ela não morerrá, mesmo que seu corpo finde as mazelas humanas, e se entregue a uma enfermidade qualquer, há tantos males, mas nenhum irá abalar tudo que construiu sem perceber, um castelo de verdades, com marcas imensuráveis, de tentativas, frustrações e conquistas. Existe um coração e isso basta. Existe a razão e ela lhe questiona o bastante, para saber, onde ir e quando parar.

A vida lhe parece uma sentença de morte, florida. Um corredor de paredes densas, e altura que não se sabe onde chega. É um caminho fechado com uma única saída, mas não há controle o bastante para decidir a hora que tudo irá terminar.

Sem demorar e nem se apressar, ela digere cada ato indigesto, singularidades antagônicas, que confessa, que só se aprende com o tempo. Ela aceita os abusos da vida, ela permite o estupro de sua alma, sente prazer na dor e em sua melancolia. O prazer maldoso, que lhe atribui sabedoria. Ela é uma fêmea de pureza inata, e de força surrealista. Uma obra moderna, que Deus deu vida.

01:05

- - - Reflexo monocromático



E suas mãos, procuravam se aquecer, seu coração palpitava. As horas corriam por entre seus dedos, e elas se entre olhavam. Ela e seu reflexo no espelho. A covardia e a coragem.

A covardia e a coragem, observavam-se. Longos cabelos loiros, olhos lucidamente apagados, e um atraso, que a deixava ansiosa, já estava mais do que no tempo de ser tudo o que queria, mas não sabia ser.

Elas se amavam, e se odiavam em segundos, sentimentos perturbadores lhe tomavam a mente, a fazia questionar onde tudo estava, o lugar exato de cada coisa, animada, inanimada, imaterial, que construiu dia após dia como mundo. Eram apenas farsas, bem forjadas, chamadas de vida.

Havia um olhar hostil no ar, e desejo de dizer as mais duras palavras, todas as verdades que se escondeu na rotina seguida passo-a-passo, durante anos. A disciplina era seu ponto forte, e seu medo, seu ponto fraco. A rotina seguida milimetricamente, sempre a fez, sentir-se segura, ousar um passo fora da linha, passou por sua cabeça algumas vezes, mas ela nunca tentou, o medo, sempre ele a guiando para o caminho demarcado.

Está noite, ela está decidida do contrário, e se olhando, se encoraja, as suas duas faces, rosadas, coradas de coragem. Se perfuma, se apluma, se ama em silêncio e se deixa invadir, olhando-se decide, que jamais será a mesma, e a partir desta noite, nada mais irá dominá-la, além de si.

Ela pertence somente a ela, e o mundo irá seduzir.

05:46

- - - - Flores falsas



Ainda que houvessem mentiras,
nada esconderia, o que há dentro de mim.
Existem incertezas já conhecidas,
e você passando pelo caminho de espinhos,
onde a sua flor, está guardada para o fim deste caminho.
Mas não sei se você resistirá,
não existem mais mentiras que eu possa lhe contar,
para disfarçar o sangue que escorre pelas feridas abertas.
O que te move é o aroma, das flores.
O campo florido que você sonhou desde o princípio.
E eu o vejo trilhando sem forças,
apoiado na esperança, de ter sempre esperança,
como se não tê-la fosse um pecado imperdoável.
E talvez seja.
Eu apenas secarei as suas lágrimas,
que escorrem como se fossem seu suor,
e sei que são a demonstração do seu degaste,
cansado. Chora.
E amanhã poderia ser um novo e melhor dia,
mas eu,
já não lhe contarei esta mentira.