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01:59

- - -Desaparecida

Ela tem sentido saudades, tem ficado em seu canto e pensado sobre coisas que havia se esquecido já tem muito tempo. Não se deu conta do quanto tudo mudou, não percebeu o quanto já não é a mesma, e mesmo assim insiste cometendo os mesmos erros, aceitando o inaceitável, e vestindo as mesmas velhas roupas, como se fossem sua única proteção, para justificar por que tudo mudou, mas nada está fora do lugar como deveria estar. Conservando os detalhes desnecessários, ela segue tentando entender por que se esconde por detrás de seu medo inconsciente, covardia maior é não assumi-lo e se livrar dele, e dar um basta em tudo, em tudo. Do começo ao fim, e recomeçar sem medo de errar novamente.


Olha no relógio sentindo cada segundo lhe pulsar como se fosse o último e a sensação de abandono, jamais lhe abandona, o mundo está girando e ela está no centro de tudo, sozinha, assistindo as cenas acontecerem como em um filme monocromático. Dramático.

Ninguém mais tem notícias, sabe-se que ela ainda existe em algum lugar, que talvez somente ela conheça, algum vale secreto, dentro do seu vasto universo, ela continua lá viva, esperando o seu momento, vivendo da esperança, sentindo a quase morte, talvez tudo seja apenas uma questão de sorte, e ela mantém seu trevo de quatro folhas sempre por perto, com a segurança, de que o incerto ainda virá lhe despertar. Ela já não teme a solidão, tampouco a escuridão, é na luz, com todos os seus defeitos e dramas, onde ela tem medo de se mostrar.

Hoje é apenas uma desaparecida, perdida. Tentando se encontrar.

00:36

- - - Completo_Vazio

___Estou gritando por socorro, e não ouço nem sequer uma resposta.

Estou assistindo ao meu abandono, tantas pessoas me dando as costas.
Meu passatempo é observar o infinito, e o destino é um desconhecido.
Estou contanto meus passos, mais por mais que eu ande jamais saio do meu quarto.
Estou presa nessa ausência, nesta inerência taciturna com minha alma afugentada hoje já rabugenta.
Estava cansada de dizer mentiras, mas estou sem coragem para as minhas verdades, todas me são doloridas.
Tenho esquecido de Deus, e quando o esqueço ele por si também me esquece.
Minha solidão, tem sido a minha única companheira.
E por mais que pareça impossível, a exatidão deste vazio, é a única coisa em minha vida passível de ter algum sentido.

04:11

- - - Conduta amorosa


É tão bom poder te olhar.
Minhas mãos tentam,
mas não conseguem,
não há formas de lhe tocar.
E a distância se parece,
com um muro de vidro.
E a mudez se atreve,
a dizer o que jamais fora dito.
E eu constante sinto,
a ausência de você.
Sofro desmazelado e aflito.
Sobrevivo tentando entender,
como amar posso,
como o querer me devora,
como seu sorriso me aflora.
Imploro sorrindo o seu sorrindo,
ao vê-lo lágrimas de alívio.
Vou amando, querendo e caindo,
na verdade obsoluta de que a saudade,
é a conduta do nosso amor em sigilo.

03:26

- - -Entre olhares distraídos e famintos



Olhos te olham do chão, suspiram cansados, alguns desses olhares, estão na aurora da vida, inspiram dor e lamentação, desesperança, não sabem o que é um sorriso pleno, pois sentem seus corpos inertes a passagem do tempo, como se fossem nulos para o mundo e para a vida.

Olhos te olham do chão e você não os vê, clamam aflitos, gritam, estão em todos os lugares, onde você permitir perceber, verá, existirá, um alguém, tão vivo quanto você, morrendo muito mais do que se imagina, a cada dia e a cada instante. No seu piscar, no olhar não dado à ele, matou-se uma parte ainda maior do que o resto que ainda existe. E mesmo sem força ele ainda persiste, em existir, para dizer-lhe no olhar que você não vê, que o mundo está em cólera.
( E ainda assim, ele faz mais por você, do que você por qualquer coisa além de si)

Tratados como cães, abandonados por seus irmãos, pedem água, para matar a fome de vida. Sentem sede, mas a fome os alucina, falta pão e sentir fome envergonha e assassina, a alma, o amor e a esperança.

Olhos te olham do chão, como se fossem menores, mas eles não são, somos todos iguais nesta corrente chamada vida, imploramos respostas, além das já conhecidas. E no fim todos terminaremos em um leito de morte, alguns poucos com a sorte de desfrutarem dos céus.

Mas se ainda assim, não for capaz de enxergar tudo que lhe cerca, quem sabe um dia exista resolusão certa, para tudo que você não é capaz de sentir.
Seu coração congela e sua visão turva lhe nega que o mundo, não é para todos apenas sorrir.

Olhos te olham do chão & Olhos maiores te olham dos céus.
Mas seus olhos vislumbram outras direções.








17:02

- - - Violeta-violenta a estranha solidão sentida



Violenta ela estava quando acordou, descobriu seu corpo nu e olhou o mundo ao redor.
paredes liláses, um quadro abstrato que retratava muitíssimo bem a sua vida, uma confusão plena em, espiral.

Nua permaneceu, seu corpo descoberto esfriou, sentou-se em sua cama e como todos os dias refletia, sobre uma frase que usaria.
E concluí que diria: Lilás me trás a sorte de mais um dia.
Lilás reacende as fagulhas esquecidas.

E o ritual diário começava. Seus passos sempre desleixados, jogados, pisavam em um tapete fofu,
que a mantinha longe da dureza e do frio do chão que estava sob seus pés.

Ela se protegia entre seus pensamentos e sentimentos,e todos os dias sabia, que tudo seria,
um jogo aberto de cartas marcadas, pirralha. Ela era apenas uma pirralha e se prestava,
a ser uma mulher,durante poucas horas e chorando o fazia.

"Lilás me trás a sorte de mais um dia. Lilás reacende as fagulhas esquecidas."

Lilás, é a cor do dia, a pessoa que ela nunca sentira.
Amanhã é a Rosa,
a cor-de-rosa que tomara suas paredes, preenchendo sua vida.

17:24

Fragmentos perdidos

"Sem perceber você deixou de ser, e não bastando, deixou de viver"

Seus pensamentos,
...
São consumidos pelo tempo.
E os sonhos.
Em que lugar se escondem os sonhos?
Em algum paraíso perdido,
guardado por Deus.
Escondidos para o seu castigo.
...

Sei que tens medo,
de dizer Adeus à todos os seus segredos.
Eles são seu refúgio e abismo.
Neles você,
acredita estar vivendo o que gostaria de viver.
Mas já não vive,
por que não sonha.

E há partes de você,
espalhadas.
...
Desencantadas,
pela sala.


"Sem perceber você deixou de ser, e não bastando, deixou de viver"

20:35

Château Mouton-Rothschild 1945. Não me abandone.






Não sei quantos goles eu tomei...

...Não me lembro bem, onde foi que eu deixei as chaves do meu carro, também não me recordo, a que horas cheguei em casa, aliás, que horas são agora?

...Acho que já estou na terceira garrafa.
Château Mouton-Rothschild 1945
Quelqu'un m'a dit que ce vin est bon.
Tenho a impressão de estar confundindo as coisas, mas quais coisas?
Sei que minha vida está confusa. Mas até que ponto. Pára, as 15 para ás 10. E tudo se resolve.
Acho que você não será capaz de me entender, hoje estou em um dia de má sorte.
Sexta-feira treze, superstições nunca foram meu forte. Mas hoje.
Hoje. Devo dizer que estou acreditando que passei por de baixo de uma escada, arrisco dizer que vi um gato preto, mas afirmo. Aqui em casa há apenas um cachorro branco, e ele é a minha maior e melhor companhia.

Por que estou sofrendo por você, já que quem me acompanha é ele?
Eu estou vendo algumas coisas diferentes, meu sofá está caminahndo para esquerda. Estranho. Hoje é sexta-feira treze. Talvez seja isso.

Estou me deixando envolver por mais um gole.
Château Mouton-Rothschild 1945
Quelqu'un m'a dit que ce vin est bon.
E eu fiz questão de comprar, só sei que passei um cheque em branco, claro, o valor que fora preenchido não me recordo, que lástima, mas eu não me importo.

Upa!
Já viram uma donzela arrotar?
Desculpem, donzela não sou faz tempo, minha nossa, quanto tempo.
O que faço eu aqui, jogada no canto da sala, eu diria sentada, mas se vocês vissem, diriam jogada. Por bem, digo: Eu estou relaxada. Eu e minha taça, tão relaxadas que ela me pede e eu a sirvo e eu tomo e nem sinto. Movimentos involuntários, sabem como é.

Minha vontade é de me acabar, hoje quero esquecer um pouco deste arroto que me tomou o corpo, e me relembrou o gosto de tudo que tive que engolir. Seja sincero, você tem pena de mim?

Pois se tiver não tenha, piedade é coisa pequena.
E eu ,gosto, é de coisas maiores, você consegue me interpretar...?
Grande, pequeno...?
Você consegue, tenho ceteza!

Uhn,
esse gosto é divino, mas já esta sendo confundido, com todas as menções de paladares ruins que eu já me permiti provar, você fora o pior de todos os paladares, e hoje tento eliminar teu gosto, tento eliminar os resíduos que me tomaram o corpo.
Château Mouton-Rothschild 1945
Quelqu'un m'a dit que ce vin est bon.
E eu estou usando o como desinfetante, para as minhas dores, para os horrores que você marcou no meu corpo. Embrulha-me o estômago só de te lembrar.
Você tivera o gosto oposto daquilo que eu esperava degustar.

Azedo-
por vezes meloso, antagonismo arriscado, não fora delícia. Minha recusa se fazia, apenas em te olhar.

Como conseguia ser tão insosso?
Mas e este teu gosto, mas um gole para amenizar.
Château Mouton-Rothschild 1945
Quelqu'un m'a dit que ce vin est bon.
É salgado o que eu sinto, úmido, líquido.
Estranho gosto que não suporto experimentar.
Château Mouton-Rothschild 1945
Quelqu'un m'a dit que ce vin est bon.
... Esse gosto é bom, preciso- tomar.

Château Mouton-Rothschild 1945
Quelqu'un m'a dit que ce vin est bon.
Meu último gole, a garrafa acabou.
...
...

As lágrimas vão me embriagar de tristeza, reponda-me.
Por que você insistiu em me deixar?

Je t'aime mon amour.









06:20

Espécie de solidão


Ardendo-
-tremendo em medo.
Querendo.
Á beira de ter um colapso,
lapso,
da imensidão que me perturbava,
reverberava,
entre as paredes.
Meu grito,
cantava o hino,
dos que tecem a solidão,
pedindo esmolas à corações,
canções.
Embalem as dores,
desamores,
desabores.
Refletindo os horrores,
eu temo por minha alma,
por meu coração,
que sofre feito o de um cão,
jogado as ruas,
alvo de olhares,
maldades,
apenas ele e suas pulgas.
-E suas pulgas,
que são seu único bem,
e todo o seu mal.
Coçam-lhe e fazem com que a sua carne seja exposta em aflição,
sou tratado feito um cão,
que dorme solitário,
postes me guiam,
caminhos,
por onde fui, por onde vou.
Estou tremendo,
preciso aquecer meu coração,
As ruínas de uma construção,
chamo de casa,
de lar,
é a minha asa,
a absolvição que me faz menos solitário,
com minhas pulgas e carrapatos,
um velho telhado,
janelas despencando,
um porta sem porta,
por onde entra apenas ar frio,
tempestade,
e desolação.
Sou tratado como um cão.

19:45

Mulher de pedra


Ela já teve um coração,
que no passado,
batia forte e ritmado.
Hoje seu coração é marcado
pelas dobras,
-do tempo,
-do vento,
-da solidão.
Sentiu o tato,
macio,
que a desejava,
com fervor de paixão.
Hoje tens,
-superfície fria
-asperezas.
-calos de certezas.
Havia nela tamanha perdição.
Ela já teve um coração,
que no passado.
batia forte e ritmado,
levado pela valsa da emoção.