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16:07

- - - Desconhecidos anseios



Pensando bem:

Tá faltando a graça e as palhaçadas que nos façam rir.

Tou contando desgraças, me emprestas uns dedos aí?

Nessa vida de mordaças, sou sadomasoquista por imposição!


Entre trapos e agrados,
na linha interminada, facetas montadas, é a minha opção.

Quero o seu riso mais intenso, seus olhos os mais atentos.

Existe uma nova constituição, constituída em descaso e embaraços sociais.

Na sarjeta glamurosa, seu brilho vencido ofusca a verdadeira visão.

De salto nas esquinas, despido no inverno, em frente ao restaurante passando fome;
não come, não desfila, não veste os panos da moda.

"Senhora me dá um trocado?"
Não, ela só tem notas de cem!

Vamos seguindo em nossos blindados, ignorando e ignorável, fingindo que está tudo bem!

Enquanto pagamos pela nossa felicidade, tendo a sorte dos que não tem,
criamos monstros invisíveis, que ao fundo do que não sabemos,
são crianças com anseios, e sonhos pequenos, e o simples desejo de uma vida verdadeiramente feliz.

03:53

As lágrimas de um anjo covarde


"Minha verdade. Minha liberdade."

As lágrimas molharam,
meu rosto.

As lágrimas falaram,
o oposto.
(daquilo que eu falava)

As lágrimas dissolveram,
a máscara.
(que eu vestia fazendo graça)

As lágrimas desfizeram,
a minha farsa.
(que eu mantinha sempre intacta)

As lágrimas desnudaram,
o meu mundo.
(repleto de escudos)

As lágrimas descreveram,
meus abusos.
(de corpo e de alma)

As lágrimas demonstraram,
o que há de mais profundo.

As lágrimas inundaram tudo.

Escorriam como elas:
-minhas dores,
-desamores,
-saudades e,
-quimeras.

As lágrimas foram,
o meu completo absurdo.
Completude de minha mudez,
minha fala sensata,
incontida e inexata.

As lágrimas misturavam-se,
com soluços.

As lágrimas representavam,
minha covardia assistida.

As lágrimas foram,
minha maior demonstração de coragem.

Minhas lágrimas,
transformaram-se em asas.
Minha desumanização,
tornando-me,
uma divindade.

"Minha verdade. Minha liberdade."