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16:07

- - - Desconhecidos anseios



Pensando bem:

Tá faltando a graça e as palhaçadas que nos façam rir.

Tou contando desgraças, me emprestas uns dedos aí?

Nessa vida de mordaças, sou sadomasoquista por imposição!


Entre trapos e agrados,
na linha interminada, facetas montadas, é a minha opção.

Quero o seu riso mais intenso, seus olhos os mais atentos.

Existe uma nova constituição, constituída em descaso e embaraços sociais.

Na sarjeta glamurosa, seu brilho vencido ofusca a verdadeira visão.

De salto nas esquinas, despido no inverno, em frente ao restaurante passando fome;
não come, não desfila, não veste os panos da moda.

"Senhora me dá um trocado?"
Não, ela só tem notas de cem!

Vamos seguindo em nossos blindados, ignorando e ignorável, fingindo que está tudo bem!

Enquanto pagamos pela nossa felicidade, tendo a sorte dos que não tem,
criamos monstros invisíveis, que ao fundo do que não sabemos,
são crianças com anseios, e sonhos pequenos, e o simples desejo de uma vida verdadeiramente feliz.

03:26

- - -Entre olhares distraídos e famintos



Olhos te olham do chão, suspiram cansados, alguns desses olhares, estão na aurora da vida, inspiram dor e lamentação, desesperança, não sabem o que é um sorriso pleno, pois sentem seus corpos inertes a passagem do tempo, como se fossem nulos para o mundo e para a vida.

Olhos te olham do chão e você não os vê, clamam aflitos, gritam, estão em todos os lugares, onde você permitir perceber, verá, existirá, um alguém, tão vivo quanto você, morrendo muito mais do que se imagina, a cada dia e a cada instante. No seu piscar, no olhar não dado à ele, matou-se uma parte ainda maior do que o resto que ainda existe. E mesmo sem força ele ainda persiste, em existir, para dizer-lhe no olhar que você não vê, que o mundo está em cólera.
( E ainda assim, ele faz mais por você, do que você por qualquer coisa além de si)

Tratados como cães, abandonados por seus irmãos, pedem água, para matar a fome de vida. Sentem sede, mas a fome os alucina, falta pão e sentir fome envergonha e assassina, a alma, o amor e a esperança.

Olhos te olham do chão, como se fossem menores, mas eles não são, somos todos iguais nesta corrente chamada vida, imploramos respostas, além das já conhecidas. E no fim todos terminaremos em um leito de morte, alguns poucos com a sorte de desfrutarem dos céus.

Mas se ainda assim, não for capaz de enxergar tudo que lhe cerca, quem sabe um dia exista resolusão certa, para tudo que você não é capaz de sentir.
Seu coração congela e sua visão turva lhe nega que o mundo, não é para todos apenas sorrir.

Olhos te olham do chão & Olhos maiores te olham dos céus.
Mas seus olhos vislumbram outras direções.








16:47

- - - - A cor do refúgio




Unhas vermelhas borradas,
no espelho uma imagem fragmentada.
Um rosto pálido, aquecido, pelo calor do vazio.
Olheiras que marcam a escuridão de sua alma,
ela queria ser simples, e real.
Mas se perdeu em algum ponto do caminho,
ela já não se reconhece,
e busca forças para continuar.
Assiste filmes, buscando viver,
escuta história tentando entender,
tudo o que a vida não lhe oferece.
Ela não é covarde pode acreditar,
mas o seu medo,
percebem todos aqueles que a olham,
na frieza da sua indiferença,
consigo e com a vida,
ela pinta as unhas de vermelho,
mas elas estão roídas.
E se esconde do escuro que se tornou,
a sua vida,
de baixo do seu edredon,
relíquia desde menina.
Ela seria uma grande mulher,
se não fosse sua vocação para ser apenas,
uma imbecil jovenzinha.